O Brasil do nosso contentamento

Por: Luis Faro Ramos

No dia 1 de janeiro tomaram posse em Brasília o Presidente e o Vice-Presidente da República Federativa do Brasil.

Perante mais de duas dezenas de delegações estrangeiras, entre as quais a de Portugal, liderada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Foi um momento muito aguardado e de elevado simbolismo. Representa o início de um novo ciclo político, que interessa ao Mundo e particularmente a Portugal. 

Porque, embora o relacionamento entre o nosso país e o Brasil vá muito além dos ciclos políticos, não lhes é indiferente.

O início de cada ano é tempo de fazermos balanços do que passou e prepararmos o que está para vir. Cheguei a Brasília em dezembro de 2020. Se 2021 foi um ano marcado pela pandemia, em que não parámos, tendo apenas conseguido fazer o possível dentro das circunstâncias, 2022 foi bem diferente. 

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O Regresso do Brasil

 

A cerimónia de passagem da faixa presidencial foi um momento de grande emoção. Uma afro-brasileira, descendente de escravos, ter colocado a faixa no Presidente Lula ficará para a História.

A tomada de posse de Lula é um acontecimento de repercussões globais na afirmação da vitalidade da democracia liberal, do triunfo dos ideais do iluminismo, da justiça social , da defesa do ambiente e da diversidade. Lula é uma esperança para o Brasil e o Mundo.

Lula é uma esperança para o Brasil e para o Mundo

A 30 de outubro, Lula foi eleito Presidente , com 50,9% dos votos. Bolsonaro contestou o resultado das eleições, seguindo o exemplo do seu mentor Trump. Assim que os resultados foram conhecidos, para travar qualquer tentativa de golpe, os Presidentes americano e francês e o Chanceler alemão felicitaram o presidente eleito. Biden declarou imediatamente as eleições “livres, justas e credíveis” e Macron realçou mesmo que a eleição de Lula abria “uma nova página na História do Brasil “.

O dilema internacional do Brasil será o de sempre: como conciliar a sua pertença ao mundo das democracias liberais, o chamado Ocidente, sendo simultaneamente um ator importante do Sul global, membro dos Brics (com a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul). Esta dupla identidade poderá ser um trunfo, desde que assumida com equilíbrio – algo que é mais difícil agora que a Rússia de Putin invadiu a Ucrânia e continua a sua brutal guerra de conquista. 

Após ter condenado a invasão russa numa primeira fase, Lula passou a fazer um discurso mais ambíguo, embora não alinhado com as posições de setores do PT que ainda têm uma visão bipolar do mundo, marcada pelo antiamericanismo. O Brasil será chamado, pelo menos nas Nações Unidas, a tomar posição. Se não se espera que alinhe a sua posição pela dos Estados Unidos e da União Europeia, não apoiar as resoluções condenando a violação pela Rússia da Carta, de que é um dos primeiros subscritores, seria afastar-se da sua tradição multilateralista e do campo das democracias liberais – numa altura em que é reconhecido como um dos seus.

Alguns conselheiros de Lula consideram que o Brasil poderia ter um papel de mediador na guerra da Ucrânia, uma ideia que não creio que possa ter qualquer sucesso. Não é no campo da segurança internacional que o Brasil é um ator de peso, algo que Lula deve saber. 

Já no campo ambiental, o Brasil pode ser um ator muito relevante. Daí, aliás, que Lula tenha participado na Cimeira do Clima, apenas quinze dias depois de ser eleito. O entusiasmo com que Lula foi recebido na Cimeira é indicativa não só do prestígio de Lula, mas do domínio onde a ação do Brasil é considerada vital: a proteção da biodiversidade e a luta contra as alterações climáticas. É no ambiente que o Brasil é uma superpotência, é na questão climática que a sua posição é decisiva, sobretudo pela importância da Amazónia. A indicação de Marina Silva para Ministra do ambiente é a confirmação de que o desmatamento da Amazónia será revertida.

É no ambiente que o Brasil é uma superpotência, é na questão climática que a sua posição é decisiva, sobretudo pela importância da Amazónia. A indicação de Marina Silva para Ministra do ambiente é a confirmação de que o desmatamento da Amazónia será revertida.

O Brasil poderá ter um papel decisivo na construção do consenso entre os países do chamado Sul global e os membros da OCDE, fundamental para a saída do impasse em que se encontram as conferências do clima e para o cumprimento dos acordos de Paris. 

A União Europeia deveria tirar partido do efeito Lula para concluir o acordo UE-Mercosul. Como defende o manifesto promovido pela Casa Comum da Humanidade e pelo Fórum Demos, o acordo deveria integrar um anexo com uma nova orientação estratégica, fazendo-o evoluir de uma relação essencialmente comercial para uma parceria que coloque o objetivo do clima estável no centro das relações birregionais, no que deveria ser um passo para o clima estável ser considerado património comum da Humanidade.

Em relação à China, o Brasil irá afastar-se da política americana, procurando ter as melhores relações possíveis com o seu principal parceiro comercial. 

O Brasil continuará certamente a defender um multilateralismo mais inclusivo, que tenha em consideração o mundo policêntrico, pós-hegemónico, em que vivemos, no que poderá convergir com a visão da autonomia estratégica da Europa defendida pela França, o que não significa assumir uma visão ideológica da multipolaridade. 

O Brasil não tem a sua ação internacional, onde ela pode ser significativa, entravada pelos Estados Unidos ou a União Europeia. Pelo contrário, será um ator bem-vindo, tanto no ambiente como na estabilização da situação económica e política na América do Sul (a normalização das relações entre os Estados Unidos e a Venezuela é uma boa notícia para a diplomacia brasileira). Certamente que será saudada o relançamento do Mercosul e da   Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.

A presidência brasileira do G20, em 2024, poderá ser uma ocasião para dar um novo alento ao multilateralismo e fazer do combate à pobreza uma prioridade mundial.

A presidência brasileira do G20, em 2024, poderá ser uma ocasião para dar um novo alento ao multilateralismo e fazer do combate à pobreza uma prioridade mundial.

A coroar a presidência Lula, em 2026, quando Guterres for substituído por um latino-americano, porque não, enfim, uma Secretária-Geral, quem sabe uma brasileira.

É fundamental sublinhar que a consolidação da democracia no Brasil terá um efeito mundial, que, por si só, irá expandir a influência do país, que voltará a ser um exemplo a seguir – tanto mais que o sucesso do governo brasileiro depende da sua capacidade de demonstrar que é possível combater a pobreza e recusar os imperativos das políticas neoliberais.

Finalmente, o Brasil terá um papel decisivo, com repercussão mundial, no combate à extrema-direita e ao obscurantismo e na defesa dos direitos humanos. Por isso a vitória de Lula é saudada, como uma vitória do iluminismo contra a barbárie, por cientistas e homens de cultura do mundo inteiro. 

O destino comum luso-brasileiro, para além da saudade, poderá então finalmente começar a cumprir-se .

A diplomacia cultural do Brasil acompanhará a da sua sociedade civil, cuja luta pela igualdade, contra o racismo, tem um enorme eco na Europa. Já em 2023 teremos em Portugal um bom exemplo disso mesmo com a entrega do prémio Camões de 2019 a Chico Buarque, que Bolsonaro tinha bloqueado. 

O destino comum luso-brasileiro, para além da saudade, poderá então finalmente começar a cumprir-se.

NOVA DATA: 10 JANEIRO, 18h, na UCCLA, em Lisboa | Lançamento de livro «Memórias em Tempos de Amnésia. Uma Campa em África», de Álvaro de Vasconcelos

Devido ao mau tempo em Lisboa, e à previsão de agravamento, a apresentação do livro «Memórias em Tempo de Amnésia», de Alvaro Vasconcelos, que se encontrava agendada para hoje às 18h na UCCLA, foi adiada para 10 de Janeiro, à mesma hora .

Encontramo-nos em Lisboa no dia 10 de janeiro, às 18h!

Apresentado no Porto o livro «Memórias em Tempo de Amnésia. Uma campa em África», de Álvaro Vasconcelos

No passado dia 5 de dezembro, o novo livro de Álvaro Vasconcelos foi apresentado na Casa Comum, da Reitoria da Universidade do Porto.

A organização da apresentação do livro «Memórias em Tempos de Amnésia. Uma campa em África» contou com o apoio da Casa Comum, das Edições Afrontamento e a parceria do Forum Demos.

A apresentação pública do livro, que foi aberta com a projeção dos primeiros segundos do filme Hiroshima, Mon Amour, de Alain Renais, foi levada a cabo por Kitty Furtado, Alexandre Quintanilha e Danny Wambire, com a moderação de Fátima Vieira, e incluiu uma breve contextualização da obra, pelo Autor.

A próxima sessão de apresentação e discussão do livro será no próximo dia 13, às 18h, na UCCLA, Av. da Índia, 110, Lisboa.

Racismos, resistências e políticas públicas de segurança: Reflexões no inverno espanhol, por Mariana Matos

Na sequência da participação na Escola de Inverno 2022 do CES-Coimbra, «Resistências anticoloniais e racismo institucional», a autora partilha com o Forum Demos algumas discussões pertinentes que naquele tiveram lugar.

Foto 1: Espaço da Escola de Inverno

A Escola de Inverno dos Centros de Estudos Sociais de Coimbra (Portugal) reuniu em Madrid, no inverno de 2022, ativistas e acadêmicas de várias partes do mundo para aprofundar reflexões sobre temas relacionados com as diferentes vertentes de racismo nos contextos europeus e americanos. Os destaques da Escola foram as participações da ativista franco-algeriana Houria Bouteldja, do porta-voz do sindicato espanhol dos manteros Malick Gueye e da pesquisadora Silvia Rodríguez Maeso, que também foi uma das responsáveis pela organização do evento.

Um dos temas que recebeu grande atenção foi a relação entre racismo institucional e políticas públicas de segurança. A discussão explorou a temática em relação ao Brasil com base na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, processo conhecido como ADPF das favelas, segundo a organização não governamental Conectas e o renomado IBCCRIM. Trata-se de uma ação histórica ajuizada perante o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Partido Socialista Brasileiro cujo julgamento terminou no início deste ano. Sua relevância é dita histórica não só pela temática apresentada para análise judicial como também pela inovação na formulação da demanda, que contou com a participação ativa de representantes das comunidades afetadas. O resultado foi também significativo, pois apontou na direção da garantia da vida e segurança da população das favelas do Rio de Janeiro.

Sem querer desmerecê-lo, é preciso entender que a ADPF 635 representa o paradoxo da “vitória/fracasso”. A professora Marie-Bénédicte Dembour propõe este viés de análise em seu artigo sobre o julgamento da Corte Europeia de Direitos Humanos no caso Sander contra Reino Unido (2000), que se refere ao processo criminal por tribunal do júri do cidadão britânico de origem asiática Kudlip Sander. Assim, Dembour demonstra que, não obstante os fatos deste caso estarem relacionados com comentários racistas do tribunal do júri; os méritos do julgamento não exploram as questões relacionadas ao racismo e muito menos fazem o escrutínio do Artigo 14 da Convenção Europeia de Direitos Humanos, que estabelece o princípio internacional de jus cogens de proibição de discriminação. Por isso, apesar da decisão favorecer à vítima e condenar o Reino Unido por fatos relacionados à questão do racismo, ou seja, ser uma vitória judicial; ela é, ao mesmo tempo, um fracasso por deixar a questão do racismo institucional escondida nas entrelinhas.

Ao aplicar o constructo de Dembour à ADPF 635, nota-se que os méritos do acórdão trataram, de modo superficial, as denúncias de racismo. Portanto, configura-se o fracasso. No entanto, a ordem judicial de que o Estado do Rio de Janeiro elabore um plano de redução de letalidade policial, instale equipamentos de GPS e sistemas de gravação de áudio e vídeo nas viaturas policiais e nas fardas dos agentes, entre outras medidas importantes, merece ser celebrada como uma vitória.

A Escola de Inverno terminou com uma visita de estudo guiada pelo bairro madrileno Lavapiés, um bairro pluriétnico por natureza, durante a qual se mapeou geograficamente as práticas de resistência frente ao racismo institucional. Antes de chegar a praça Nelson Mandela, que não esconde a tristeza pela recente evicção do edifício social La Quimera, o percurso revelou o valor simbólico como patrimônio cultural intangível da rua do Urso. De modo sucinto, este local é um lieu de mémoire orgânico em Madrid. Trata-se do sítio onde ocorreu o trágico falecimento do trabalhador informal e imigrante negro de origem senegalesa, Mame Mbaye, ocasionado por uma perseguição policial cruel, segundo organizações da sociedade civil de Madrid. Tal motivação foi negada pelo polícia e pelo poder judicial espanhol em decisão da Audiencia Provincial de Madrid, em 2019. A morte de Mbaye gerou uma grande comoção e é considerada um marco na luta contra o racismo institucional pelos movimentos sociais espanhóis, que não cansam de lembrá-la, apesar da falta brutal de qualquer materialidade simbólica na rua do Urso.

Foto 2: Bairro Lavapiés

Mariana Matos é Doutora em Direito e Investigadora em Direito e Antropologia no Max Planck Institute. Original de Belém do Pará, a autora tem vindo a desenvolver trabalho sobre os direitos das minorias e os direitos dos indígenas.

13 dez, 18h, Lisboa | Forum Demos associa-se ao lançamento do livro «Memórias em Tempo de Amnésia. Uma campa em África», de Álvaro Vasconcelos

O Forum Demos associa-se ao lançamento do novo livro de Álvaro Vasconcelos, Memórias em Tempo de Amnésia. Uma campa em África, publicado pelas Edições Afrontamento. No próximo dia 13 de dezembro, terça feira, na UCCLA, às 18h, vai ter lugar o primeiro encontro de lançamento do livro do autor.

O livro será apresentado por Victor Barros e Margarida Calafate Ribeiro, com moderação de Marta Lança.

A sessão conta com o apoio da UCCLA.

Pretende ser um testemunho da viagem às trevas que era viver em África no tempo em que o racismo era política de Estado (Álvaro Vasconcelos)

«Estas Memórias em Tempo de Amnésia são publicadas em dois volumes. O livro trata, sobretudo, do que era proibido lembrar, do que era subversivo memorizar. Os crimes deviam ser esquecidos para todo o sempre. Podia-se ser preso e torturado por ter visto o crime que nenhum registo podia guardar e ficava, apesar de todo o esforço dos fazedores de silêncio, na memória dos homens. Nos contadores de histórias, nos que pela tradição oral preservam as lembranças dos seus antepassados. Mas as dificuldades do presente funcionam como uma droga que apaga a memória e propaga como um vírus a amnésia coletiva, tornando a sociedade mais frágil perante ameaçadas já conhecidas pela humanidade. Uma Campa em África, o primeiro volume, aborda os caminhos que me levaram, ainda menino, para África. Aí vivi entre 1953 e 1967, primeiro em Moçambique, depois na África do Sul. Pretende ser um testemunho da viagem às trevas que era viver em África no tempo em que o racismo era política de Estado, quer fosse na mentira lusotropical ou no horror do apartheid. É um testemunho em nome do dever de memória, contra a política do esquecimento e o revisionismo histórico sobre o crime contra a humanidade que foi o colonialismo» (Da contracapa do vol. I, por Álvaro Vasconcelos).

5 dez, 21h30, Porto | Forum Demos associa-se ao lançamento do livro «Memórias em Tempo de Amnésia. Uma campa em África», de Álvaro Vasconcelos

O Forum Demos associa-se ao lançamento do novo livro de Álvaro Vasconcelos, Memórias em Tempo de Amnésia. Uma campa em África, publicado pelas Edições Afrontamento. No próximo dia 5 de dezembro, segunda feira, na Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, às 21h30, vai ter lugar o primeiro encontro de lançamento do livro do autor.

O livro será apresentado por Alexandre Quintanilha, físico, deputado da Assembleia da República, Dany Wambire, escritor, editor e livreiro, que participa por videoconferência a partir da Beira, Moçambique, e por Kitty Furtado, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com a moderação de Fátima Vieira, vice-reitora da Universidade do Porto.

A sessão conta com o apoio da Casa Comum da Universidade do Porto.

Pretende ser um testemunho da viagem às trevas que era viver em África no tempo em que o racismo era política de Estado (Álvaro Vasconcelos)

«Estas Memórias em Tempo de Amnésia são publicadas em dois volumes. O livro trata, sobretudo, do que era proibido lembrar, do que era subversivo memorizar. Os crimes deviam ser esquecidos para todo o sempre. Podia-se ser preso e torturado por ter visto o crime que nenhum registo podia guardar e ficava, apesar de todo o esforço dos fazedores de silêncio, na memória dos homens. Nos contadores de histórias, nos que pela tradição oral preservam as lembranças dos seus antepassados. Mas as dificuldades do presente funcionam como uma droga que apaga a memória e propaga como um vírus a amnésia coletiva, tornando a sociedade mais frágil perante ameaçadas já conhecidas pela humanidade. Uma Campa em África, o primeiro volume, aborda os caminhos que me levaram, ainda menino, para África. Aí vivi entre 1953 e 1967, primeiro em Moçambique, depois na África do Sul. Pretende ser um testemunho da viagem às trevas que era viver em África no tempo em que o racismo era política de Estado, quer fosse na mentira lusotropical ou no horror do apartheid. É um testemunho em nome do dever de memória, contra a política do esquecimento e o revisionismo histórico sobre o crime contra a humanidade que foi o colonialismo» (Da contracapa do vol. I, por Álvaro Vasconcelos).

A salvaguarda da democracia e os novos enfrentamentos do poder, Grupo de Análise de Conjuntura CNBB

Divulgamos o mais recente texto de reflexão do Grupo de Análise de Conjuntura da  Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Este artigo científico é um produto da equipa de Análise de Conjuntura da CNBB. É um serviço para a CNBB. Não representa, contudo, a opinião da Conferência. A equipa é formada por membros da Conferência, assessores, professores das universidades católicas e por peritos convidados. Participaram da elaboração
deste texto: Dom Francisco Lima Soares – Bispo de Carolina – MA, Pe. Paulo Renato Campos – Assessor de Política da CNBB, Pe. Thierry Linard de Guertechin, S.J. (in memoriam), Antonio Carlos A. Lobão – PUC/Campinas, Francisco Botelho – CBJP, Gustavo Inácio de Moraes – PUC/Rio Grande do
Sul, José Reinaldo F. Martins Filho – PUC/Goiás, Manoel S. Moraes de Almeida – Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, Marcel Guedes Leite – PUC/São Paulo, Robson Sávio Reis Souza – PUC/Minas, Tânia Bacelar – UFPE, Maria Lucia Fattorelli – Auditoria Cidadã da Dívida, Melillo Dinis do Nascimento – Inteligência Política (IP) e Ricardo Ismael – PUC/Rio.

O artigo foi publicado anteriormente pelo CNBB e encontra-se disponível aqui.

Forum Demos associa-se à Declaração Conjunta pela libertação de Alaa Abdel-Fattah

Fonte: ohchr.org

Após a detenção arbitrária  de Alaa Abdel-Fattah no Egipto, o escritor e activista encontra-se em risco de vida. Organizações internacionais, ONGs e movimentos de Direitos Humanos de todo o mundo (LINK) estão a mobilizar-se para combater o silenciamento desta voz dissidente e pugnar pela libertação de Alaa Abdel-Fattah. A assinatura desta Declaração Conjunta condena publicamente a prisão de Alaa Abdel-Fattah e, ainda, chama a atenção para as múltiplas condenações abusivas e violadoras de direitos humanos fundamentais, como o direito à vida e a liberdade de expressão.Até ao momento, a Declaração Conjunta foi subscrita por mais de seis dezenas de, como a Amnesty International, a Human Rights Watch, a FIDH, a EuroMed Rights, o POMED, a PEN International e a Campaign against Climate Change.

O Forum Demos associa-se à declaração conjunta, através de:

1.  Álvaro Vasconcelos – Fundador do Forum Demos, Antigo Diretor do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia

2.    Ana Benavente – Investigadora, Antiga Secretária de Estado da Educação (Portugal)

3.    Ana Gomes – Antiga Deputada do Parlamento Europeu (PS) e candidata à Presidência da República (2021)

4.    António Ferrari – Vice-Reitor da Universidade de Aveiro (2002-2010)

5.    Arlene Clemesha – Professora da USP

6.    Inês Granja – Investigadora

7.   Isabel Valente – Investigadora 

8.    João Relvas – Investigador 

9.    José António Gusmão – Investigador 

10. Leonardo Costa – Professor na UCP-Porto

11. Reginaldo Nasser – Professor na PUC-SP

12. Renato Janine Ribeiro – Professor da USP, Antigo Ministro da Educação (Brasil)

13. Pedro Bacelar Vasconcelos – Jurista, Antigo Deputado da Assembleia da República

13. Cátedra UNESCO/UNICAP Dom Helder Câmara de Direitos Humanos

UN High Commissioner for Human Rights, Volker Türk (08.11.2022)

@volker_turk calls for the immediate release of activist Alaa Abdel Fattah, whose life is said to be at imminent risk after 7-month hunger strike.

«I urge the Government to immediately release Abdel Fattah from prison and provide him with the necessary medical treatment, (…) I call on the Egyptian authorities to fulfil their human rights obligations and immediately release all those arbitrarily detained, including those in pre-trial detention, as well as those unfairly convicted (…) No one should be detained for exercising their basic human rights or defending those of others (…) I also encourage the authorities to revise all laws that restrict civic space and curtail the rights to freedom of expression, assembly and association»

Declaração conjunta – A vida de Alaa Abdel-Fattah está em sério risco: As autoridades egípcias devem libertá-lo já

Alaa Abdel-Fattah é escritor egípcio britânico, defensor dos direitos humanos e técnico de software. Foi uma das principais vozes e activistas durante a revolução de 25 de Janeiro de 2011. Tem sido publicado em numerosos pontos de venda; é conhecido por ter fundado um importante agregador de blogues árabes; e tem estado envolvido numa série de iniciativas de jornalismo cidadão. O seu livro, You Have Not Been Yet Been Defeated, que compila alguns dos seus escritos profundamente influentes, tem sido aclamado por todos.

Durante a sua vida,.Alaa foi preso na governação de todos os chefes de Estado egípcios. Está actualmente detido na sequência de um julgamento injusto com base em acusações falsas relacionadas com a defesa dos direitos humanos. A 2 de Abril de 2022, Alaa embarcou numa greve de fome aberta como último apelo à liberdade. Depois de mais de 200 dias de greve de fome parcial, Alaa anunciou que, a partir de 1 de Novembro de 2022, está a suspender a sua anterior greve de 100 calorias e a avançar para uma greve de fome total. Alaa decidiu também que a 6 de Novembro de 2022, coincidindo com o início da COP27 em Sharm el-Sheikh, Egipto, dará início a uma greve da água. Isto significa que se ele não for libertado, Alaa morrerá antes do fim da COP27.

“Se se desejasse a morte, então uma greve de fome não seria uma luta. Se apenas nos agarrássemos à vida por instinto, então qual seria o objectivo de uma greve? Se se está a adiar a morte apenas por vergonha das lágrimas da mãe, então está-se a diminuir as hipóteses de vitória…. Tomei a decisão de escalar numa altura que considero adequada à minha luta pela minha liberdade e pela liberdade dos prisioneiros de um conflito em que não participam, ou em que tentam sair; para as vítimas de um regime que é incapaz de lidar com as suas crises excepto com a opressão, incapaz de se reproduzir excepto através do encarceramento” – Alaa escreveu numa carta à sua família anunciando a escalada da sua greve de fome.

A 31 de Outubro de 2022, o Relator Especial das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos e ambiente afirmou: “Antes da COP27, junto-me ao coro de vozes globais apelando à libertação imediata de Alaa Abd el-Fattah, um activista egípcio que se encontra há anos na prisão apenas por ter manifestado a sua opinião. A liberdade de expressão é um pré-requisito para a justiça climática”!

Nós, as organizações e grupos abaixo assinados:

  • Apelamos às autoridades egípcias para que libertem imediatamente Alaa Abdel Fattah e todas as pessoas presas e detidas unicamente por exercerem os seus direitos
  • Apelamos às autoridades britânicas para que intervenham para assegurar a libertação do seu concidadão Alaa Abdel Fattah, para que lhe seja permitido viajar para o Reino Unido, pois a sua saúde está a deteriorar-se até um ponto crítico e de risco de vida
  • Apelamos ao Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos para que reitere publicamente o seu apelo ao Egipto para que liberte imediatamente Alaa Abdel-Fattah, Mohamed el-Baqer, e todas as pessoas presas e detidas unicamente por exercerem os seus direitos
  • Apelamos aos Procedimentos Especiais da ONU para que reiterem publicamente o seu apelo ao Egipto para que liberte imediatamente Alaa Abdel-Fattah, Mohamed el-Baqer e Mohamed “Oxigénio” Ibrahim Radwan e todos aqueles que foram presos e detidos unicamente por exercerem os seus direitos
  • Apelamos a todos os líderes governamentais e empresariais que vão à COP27 para que usem de toda a influência possível e exortar as autoridades egípcias a libertarem imediatamente Alaa Abdel Fattah e todos aqueles que foram presos e detidos unicamente por exercerem os seus direitos
  • Apelamos às organizações, grupos e activistas da sociedade civil que vão à COP27 para que exortem as autoridades egípcias a libertar imediatamente Alaa Abdel Fattah e todas as pessoas detidas e detidas unicamente por exercerem os seus direitos.