E se os europeus acordassem…

Álvaro Vasconcelos women-march

O discurso de posse de Donald Trump foi uma declaração de guerra aos americanos que não pensam como ele e ao mundo. Um exemplo de pura demagogia populista contra a política e os políticos. No dia seguinte, 500 mil mulheres em Washington e outras 500 mil por toda a América demonstraram o que é preciso fazer para travar as políticas mais perigosas de Trump. Como disse Scarlett Johansson é a hora da mobilização cívica nos Estados Unidos, mas também na Europa. Todos temos a obrigação de nos mobilizarmos, de encontrar tempo para agir, apoiar, dialogar, convencer  e analisar.

O meu apelo ao despertar dos europeus, agora republicado no Fórum Demos.

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Trump, como nunca o vimos (quer dizer: como presidente dos Estados Unidos)

José Vítor Malheiros

Nos últimos anos, quase sempre a propósito do aparecimento e do sucesso de certas organizações políticas nacionalistas na Europa, temos falado muito de populismo, tentando clarificar o conceito, debatendo o seu rigor ou ambiguidade, discutindo a correcção e utilidade da sua aplicação a esta ou àquela organização, a este ou àquele discurso, a esta ou àquela prática política.
O discurso de tomada de plate_mockupposse (não, não se diz inauguração) do presidente Donald Trump (custa a dizer, mas é o que o homem é) contribui para esclarecer a discussão porque é um perfeito exemplo de discurso populista, a exemplo de mais uns quantos feitos maioritariamente nos anos 30 do século passado.
A marca de água do populismo é a ideia de que a soberania reside no povo (até aqui estamos todos de acordo) mas que a vontade popular não se pode exprimir correctamente através dos sistemas de representação e de mediação da democracia representativa, pois estes foram capturados por elites que os deturparam, desviaram da sua função e os usam para seu benefício pessoal.

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O estado característico de profunda apatia política das sociedades ocidentais permanece tão forte como nunca*

Rooney Pinto[1]

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Marko Djurica, Reuters

 

Ainda assusta a incapacidade política da Europa de lidar com a crise dos refugiados e imigrantes. A frase de Castoriadis, citada em sua obra La Montée de L’Insignificance publicada inicialmente pela Seuil em 1996, permanece ainda lúcida e atual. Há uma profunda apatia política, uma incapacidade em lidar com crises e um desmoronamento de valores como poucas vezes foi visto. E podemos ver isso em diversas esferas da sociedade. O mais recente episódio noticiado pelos media diz respeito ao julgamento e condenação da jornalista húngara Petra László, que foi filmada “rasteirando” refugiados que fugiam da polícia na fronteira da Hungria com a Sérvia. László trabalhava para a N1 TV na altura e alegou ter entrado em pânico agindo em sua defesa.

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Soares: Vamos a Isto!

Luísa Schmidt

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Foto: Luís Vasconcelos

Pensando em Mário Soares como todos temos feito nos últimos dias, com saudade para quem o conhecia, não posso deixar de sublinhar dois aspectos que para mim são particularmente significativos. Por um lado, a importância que ele foi dando de forma crescente às questões ambientais tanto nacionais como globais; por outro lado, duas características extraordinárias da sua personalidade: a franqueza e a capacidade de acção para fazer mudar montanhas.

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Soares, Presidente

Pedro Bacelar de Vasconcelos

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Foto: Luís Vasconcelos

O cerimonial fúnebre da partida de Mário Soares proporcionou a oportunidade para uma extensa revisitação da história do regime democrático instaurado pela revolução de abril. Os inúmeros depoimentos, testemunhos e comentários produzidos permitiram aos mais velhos refletir sobre o que já sabiam e reconsiderar a sua experiência à luz dos desafios do presente. Para os mais jovens, a evocação da vida de Soares – da  luta contra o fascismo à construção da democracia e à denúncia incansável, até à morte, dos novos perigos que ameaçam a nossa liberdade – foi ocasião inestimável de aprendizagem cívica e, sobretudo, inspiração poderosa para seguir o seu exemplo.

http://www.jn.pt/opiniao/pedro-bacelar-de-vasconcelos/interior/soares-presidente-5600354.html#.WHdapY22FD8.gmail

Homenagem: Zygmunt Bauman e a Retrotopia

Sofia Oliveira

Zygmunt Bauman morreu, aos 91 anos, em Inglaterra, no dia 9 de janeiro. Conhecido essencialmente pelo conceito de “modernidade líquida”, na sequência do livro com esse título publicado em 2000, foi um autor particularmente sagaz, que intuiu e concetualizou, nas suas obras, muitas das características da sociedade em que vivemos.

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MÁRIO SOARES, A DEMOCRACIA E PORTUGAL

Guilherme d’Oliveira Martins

Invoco hoje a importância que o exemplo de Mário Soares representa para os dias de hoje e de sempre. Estamos perante um percurso político fundamental que colheu frutos no tocante à institucionalização do regime democrático. Profundo conhecedor da história portuguesa, filho de uma personalidade marcante da I República e do mundo pedagógico, pôde, ainda antes da Revolução democrática de 1974, preparar o terreno para uma «República moderna» onde todos pudessem ter lugar, para além das oposições tradicionais.

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O novo combate de Mário Soares

Álvaro Vasconcelos

O novo combate de Soares é contra os ataques que lhe são feitos pelos neonacionalistas portugueses, um combate que todos devemos travar se queremos continuar o seu legado na luta contra o obscurantismo nacionalista em Portugal. Não há que debater a sua inquestionável imortalidade mas sim continuar a sua luta.

 

Fotografia Luís Vasconcelos

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https://www.publico.pt/2017/01/10/politica/noticia/o-novo-combate-de-mario-soares-1757625

Soares Europeu

Mário Soares não foi apenas o “rosto” da adesão de Portugal à CEE, nem a sua luta por um Portugal europeu se limita aos tempos que rodearam aquele processo. A ideia de Europa começa a revelar-se muito cedo na acção de Soares por um país democrático, desde os anos da separação do PCP e do exílio, do PREC e da transição democrática, até ao final da sua vida, em que perante o risco da desagregação europeia, com a crise financeira e a troika em Portugal, manteve a defesa consistente de uma “Europa federal de Estados-nação”.

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