[Divulgação] – Lançamento do livro “De Trump a Putin: A Guerra contra a Democracia” de Álvaro Vasconcelos [06 JUNHO-Coimbra]

O Forum Demos junta-se ao lançamento do livro: De Trump a Putin – A Guerra Contra a Democracia de Álvaro Vasconcelos, no 06de Junho (Segunda-feira), pelas 19h, no Café Santa Cruz .

Os interessados em participar deverão confirmar a sua presença para:

O amigo americano, por Leonardo Costa e Manuel Sá

O amigo americano a decapitar a Estátua da Liberdade (Der Spiegel, 2017)

Leonardo Costa e Manuel Sá*

Thomas Kuhn (1922–1996) foi um físico, historiador e filósofo da ciência americano cujo livro publicado em 1962, The Structure of Scientific Revolutions, teve uma influência profunda nos círculos académicos. Para Kuhn (1962), o desenvolvimento da ciência não é linear. Em períodos que o autor designa de ciência normal, um ponto de vista científico específico, uma teoria ou paradigma, é aceite como base para a investigação. O processo de crescimento da ciência normal é então acompanhado pela acumulação de anomalias. As mesmas, para serem explicadas, exigem, cada vez mais, pressupostos ad hoc, exteriores à teoria ou paradigma adotado. O facto conduz, mais tarde ou mais cedo, à existência de uma revolução científica e à substituição do velho Não existem factos alternativos. Existem, sim, teorias ou paradigmas alternativos, explicativos dos factos.por um novo.

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[Divulgação] – Lançamento do livro “De Trump a Putin: A Guerra contra a Democracia” de Álvaro Vasconcelos [27 Maio-Lisboa]

O Forum Demos junta-se ao lançamento do livro: De Trump a Putin – A Guerra Contra a Democracia de Álvaro Vasconcelos, no dia 27 de Maio (Sexta-Feira), pelas 18:30, no auditório do jornal Público .

Os interessados em participar deverão confirmar a sua presença para:

Do Prefácio de Teresa de Sousa :

Esta recolha de textos de Álvaro Vasconcelos gira à volta de um tema central – a democracia liberal e os perigos que hoje atravessa, cercada por dentro e por fora por ameaças e desafios que não podem ser subestimados. É este o seu grande valor.

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Ucrânia – é imperioso sair da caixa por Francisco Seixas da Costa

Francisco Seixas da Costa*

Esta guerra já não é apenas entre a Rússia e a Ucrânia. É cada vez maior o envolvimento, através de ajuda militar e de sanções, de muitos países que passaram a ser parte, embora por ora não beligerante, no conflito. Em moldes todavia nunca comparáveis ao sofrimento da população da Ucrânia, as respetivas sociedades estão a começar a sentir as consequências do prolongamento da guerra.

Parece não ter sentido que os países envolvidos no apoio à Ucrânia fiquem a aguardar o resultado, cada vez mais duvidoso, de um processo negocial, aparentemente suspenso, entre Kiev e Moscovo. Há dimensões do conflito, como fica evidente na questão das armas nucleares, que vão muito para além da situação concreta da Ucrânia, embora com ela interligada.

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O Brasil diante de eleições difíceis, por Renato Janine Ribeiro

O antigo presidente do Brasil, Lula da Silva, anunciou sábado dia 7 de maio a sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro.

Renato Janine Ribeiro*

O futuro do Brasil está indefinido. Tentarei enumerar os principais pontos em jogo. Uma parte é fora de dúvida, mas há ainda vários pontos mutáveis na lista abaixo que podem interferir nas eleições de 2 e 30 de outubro, antes delas e mesmo depois:

1) Lula é o franco favorito. A memória de seus governos, somada ao desastre do atual e do de Temer, favorece-o. 

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Nós, a Europa

A vitória de Macron nas presidenciais garantiu que a França, pelo menos para já, não soçobrará ao iliberalismo, mas alertou para o renascer do tribalismo identitário e o mal-estar em relação à União Europeia. Os 41% de votos que Marine Le Pen obteve confirmam a ameaça existencial que enfrenta o projeto europeu.

Os franceses têm consciência de que a União Europeia tem um enorme impacto na sua vida quotidiana, mas muitos não acreditam na sua capacidade para influenciar as decisões europeias. Olham para a União como algo exterior ao seu espaço cidadão, como a dimensão europeia da globalização e daí que muitos critiquem a política interna de Macron ao mesmo tempo que reconhecem o sucesso da sua política europeia. A dicotomia entre política europeia e nacional é uma falácia.

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Declaração do Porto para a Paz Transnacional 

Nós, que vivemos na Europa, nas Américas, na África, na Ásia, com diversas biografias, origens e ligações, acreditamos que os direitos humanos são universais e que o seu respeito é um imperativo para a paz. Em nome dessa crença, apelamos à Rússia para que acabe com a guerra na Ucrânia e retire as suas forças invasoras. 

As guerras de agressão trazem sofrimento e opressão a milhões de pessoas em diferentes cantos do mundo. A luta para as deter, bem como os esforços para garantir os direitos humanos e a liberdade da opressão e do autoritarismo fazem parte da mesma luta universal. O nosso apoio vai para os que resistem à guerra seja aonde for. A nossa solidariedade é para com os refugiados que fogem da guerra ou da perseguição: aos mesmos deve ser-lhes garantida a hospitalidade e  condições de acolhimento dignas.

Acreditamos que as ações de hoje definem  o futuro. Qualquer futuro positivo para a paz  depende do fracasso da invasão agressiva de Putin. A Ucrânia deve receber o apoio e os recursos de que necessita para exercer o seu direito à autodefesa e garantir a segurança dos seus cidadãos. Deve ter um caminho claro e realista para se tornar membro da UE.

Congratulamo-nos com a decisão do Tribunal Internacional de Justiça de ordenar a retirada das forças russas da Ucrânia e o início da investigação de crimes de guerra. As pessoas envolvidas no planeamento, preparação, início ou execução de um ato de agressão contra a Ucrânia devem ser consideradas responsáveis. A acusação de crimes cometidos nesta guerra servirá para reafirmar a supremacia do direito internacional e funcionará como um precedente para o futuro. 

Saudamos igualmente as decisões da Assembleia Geral das Nações Unidas de condenar o ato de agressão contra a Ucrânia. A concentração na ajuda humanitária e a cessação das hostilidades deve ser uma prioridade. Entretanto é tempo de refletir e discutir com a sociedade civil sobre a forma como a ONU deve ser reformada para melhor enfrentar tais desafios.

As formas de pôr fim às guerras e de criar relações pacíficas entre os povos serão definitivas para qualquer futura ordem de segurança multilateral. Uma vez cessadas as hostilidades militares, a sociedade civil, as mulheres, os jovens e os grupos marginalizados devem fazer parte das negociações que conduzem a uma nova estrutura de segurança e a uma governação democrática. A segurança humana e os direitos humanos – incluindo as suas dimensões social, ambiental e digital – devem estar no centro dos novos acordos de segurança .

Todos nós habitamos o mesmo planeta. O perigo de guerra nuclear, a emergência climática e as catástrofes ecológicas significam que a manutenção da paz é um imperativo para a própria sobrevivência da humanidade. As guerras desestabilizam vastas regiões da Terra  – contribuem para a insegurança universal e minam a possibilidade de enfrentar ameaças comuns. É necessário um novo ímpeto para o desarmamento nuclear, para a transição das fontes de energia poluentes e para enfrentar as desigualdades a nível global e dentro de cada sociedade.

As guerras estão a ser travadas no contexto de uma onda autocrática em curso em todo o mundo. O objetivo de acabar com as guerras é uma causa para as democracias e os cidadãos se unirem ultrapassando divisões e fronteiras. Empenhemo-nos numa busca comum pela paz e pela liberdade, a justiça e a igualdade – bem como numa solidariedade e apoio àqueles que lutam por essas justas causas, seja na Europa, na África, nas Américas, na Ásia ou no Médio Oriente. 

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Desinformação- Os europeus e a guerra do Iraque por Álvaro Vasconcelos

Um protesto contra a guerra no Iraque em Londres
(15 Fev. 2003)

Alguns afirmam, para justificar a sua complacência com a invasão da Ucrânia, que os europeus não se opuseram à invasão americana do Iraque.

Não é verdade que na Europa não houve uma forte oposição à Guerra do Iraque.

A Alemanha e a França condenaram a guerra. O discurso de Villepin (Ministro dos Negócios Estrangeiros Francês) no Conselho de Segurança, acessível no YouTube, ficou para a História.

Em Portugal, o Presidente Sampaio também condenou a guerra e impediu o envio de tropas portuguesas então desejada por Durão Barroso (Primeiro Ministro) e Paulo Portas ( Ministro da Defesa).

Nalgumas cidades de países que apoiaram a guerra, como Londres e Barcelona, milhões saíram à rua manifestando-se contra a invasão.

Derrida e Habermas escreveram uma carta expondo as razões da oposição da maioria dos europeus, como mostravam as sondagens, a uma guerra injusta e imperial. Para os dois filósofos a oposição à guerra do Iraque resultava da experiência história europeia-da tragédia do colonialismo e das guerras imperiais. O mesmo podemos dizer hoje no que diz respeito à oposição à política imperial de Putin.

A maioria dos Think Tanks europeus opuseram-se à guerra. Foi o caso do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais (IEEI). No editorial que escrevi, na minha qualidade de diretor, defini a intervenção americana como “política de potência, num mundo sem ordem, em que o unilateralismo se torna a regra”.

A desinformação russa tem interesse em esconder a oposição na Europa à invasão americana para justificar a invasão da Ucrânia, mas uma mentira, mesmo quando repetida muitas vezes, não passa a ser uma verdade.

[Conferência] Geopolítica e Direitos Humanos – O Caso da Ucrânia

Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma invasão militar em larga escala contra a Ucrânia. Seis semanas depois do início desta invasão, no dia 6 de abril de 2022, o grupo de Ética, Economia e Sociedade da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, levou a cabo a sua 13ª conferência intitulada: “Geopolítica e Direitos Humanos: O Caso da Ucrânia”.

A conferência contou com Álvaro Vasconcelos e Sandra Fernandes, como oradores, e Pedro Lima como moderador. Tendo em conta os múltiplos desafios causados pela referida invasão militar,  no que concerne não só à urgência de se terminar com o conflito, mas também quanto ao modo como os diferentes Estados e a sociedade civil lidam com a maior onda de refugiados e consequente crise humanitária enfrentada pela Europa desde a segunda Guerra Mundial, na conferência procurou-se não só analisar e discutir a origem e perpetuação deste conflito, as suas ramificações geopolíticas, nomeadamente, no que respeita à arquitetura de segurança e defesa europeia e internacional, como também o papel que as Organizações Internacionais devem ter na gestão da crise humanitária que assola a Ucrânia.

Acerca dos amanhãs cantantes do neoliberalismo por Leonardo Costa

A Poesia está na Rua
Pintura de Vieira da Silva – 1974

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘O Nome das Coisas’ – 1977

Em Portugal, cada vez que se comemora o 25 de Abril de 1974, há quem queira também comemorar, por boas razões (dá-se o benefício da dúvida), o 25 de novembro de 1975. A comemorar o 25 de Novembro de 1975, um contragolpe, considero que dever-se-iam também comemorar o 28 de Setembro de 1974 e o 11 de Março de 1975, outros dois contragolpes. É que foram estes três contragolpes que, no seu conjunto, permitiram a consolidação da democracia portuguesa. Clubes à parte, é capaz de ser mais simples ficarmos pelas comemorações do 25 de abril de 1974, o dia inicial em que a poesia esteve na rua.

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