Alemanha, Europa: ano zero

 

A Europa está no seu ano zero, na encruzilhada entre a gravidade da crise da democracia europeia, confirmada pelas eleições alemãs, e as propostas de Emmanuel Macron para a refundação da União.

Com a vitória de Macron em França, pensou-se cedo demais que a crise europeia era já uma coisa do passado. As eleições alemãs são um aviso de que o problema europeu está longe de estar resolvido e que ninguém, nem mesmo a Alemanha, escapa ao mal estar dos cidadãos com os partidos que governaram as democracias europeias desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha é também a prova de que a crise, muito mais do que económica, é política: é uma crise da democracia europeia, que atinge particularmente os partidos socialistas e social-democratas.

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Polónia: Os fantasmas da Europa integrista

Ocidente foi o nome de um movimento da extrema-direita  em França nos anos 60. Hoje ,Ocidente volta para alguns na Polónia e nos Estados Unidos a significar integrismo, racismo, nacionalismo, ódio à liberdade e à diversidade cultural. O discurso de Trump em Varsóvia foi uma afirmação de apoio ao governo Polaco e à sua visão reaccionária da Europa e do Ocidente. Estranho, ou não, o apoio que o discurso de Trump encontrou em vários editorialistas do Observador. A esperança vem da sociedade polaca que se tem manifestado( ver foto)  contra as tentativas do governo de Kaczyński de destruir o Estado de Direito e impor a sua agenda integrista ultra-conservadora.

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Europa: O acquis da revolta ética

 

 

A sociedade civil europeia exprimiu, nos últimos anos, em numerosas manifestações, a sua revolta ética, a sua indignação contra a violação dos valores em que assenta a União Europeia. É bom que os dirigentes dos Estados Membros se lembrem das exigências de liberdade, igualdade e solidariedade da cidadania europeia, que tenham presente as manifestações em toda a Europa contra a política de austeridade – como a que encheu as cidades portuguesas, com mais de um milhão de cidadãos,  em Setembro de 2013 – das manifestações de apoio aos refugiados, bem como da indignação perante a corrupção da política e dos políticos, e é bom que também se lembrem do entusiasmo com que muitos apoiaram as revoluções árabes de 2011.

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Tempos de cidadania

Os resultados da segunda volta das legislativas francesas são uma boa e má notícia, é uma boa noticia que o Presidente Macron tenha a maioria necessária para governar, mas é uma má notícia a enorme fragilidade da oposição.Uma cidadania activa continua a ser absolutamente necessária para garantir alguns dos princípios com que Macron foi eleito, como a defesa do ambiente,o multilateralismo, a moralização da vida política,o combate ao racismo, a hospitalidade, a segurança no respeito dos direitos humanos, a justiça social e a democratização da União Europeia.

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Porque votaria «Labour»

 

Nas eleições britânicas de hoje o interesse europeu seria, em nome do combate à peste nacionalista que corrói a União Europeia, a, infelizmente improvável, vitória do Labour. Não que a vitória do Labour signifique o fim do Brexit, mas significaria uma derrota das forças que o promoveram e que hoje, com arrogância, defendem um «hard Brexit», que, como o faz a líder dos Conservadores, Theresa May, põem a hipótese de um «não acordo».
A vitória do Labour seria a vitória de um partido que se opôs, mesmo que apenas timidamente, ao Brexit e que, sem pôr em causa a saída da Grã-Bretanha da União, procuraria, como o tem afirmado o seu líder Jeremy Corbyn, um acordo que mantivesse uma forte relação com a União e facilitasse o acesso aos cidadãos europeus à Grã-Bretanha.
Seria também a vitória de um partido que se oporia às aventuras militares de Trump e à sua feroz oposição ao multilateralismo. Seria,também, a vitória do partido do Mayor de Londres, Sadiq Khan, que tem feito da cidade um exemplo de cosmopolitismo e de combate à islamofobia, como se viu na sua reacção aos recentes atentados em Londres.
A vitória dos Conservadores, partido que se propõem alterar a lei dos Direitos Humanos, seria a vitória de um partido que quer vedar o acesso ao Reino Unido aos nacionais de outros países da União, que defende um corte profundo com a União Europeia, significaria também a vitória de um partido que tem uma relação especial com Trump e que, por isso, se recusou a assinar a declaração dos líderes europeus em defesa do Acordo de Paris.
Se Jeremy Corbyn vencer as eleições , sem maioria absoluta,poderia governar com o apoio dos nacionalistas escoceses e dos liberais, dois partidos claramente europeístas, o que não acontecerá se Theresa May vencer as eleições, sem maioria absoluta.
Por tudo isto só pode causar surpresa as preocupações de alguns europeístas com a possibilidade de Jeremy Corbyn ser Primeiro-Ministro, mas é revelador da dificuldade de alguns de compreenderem que a hegemonia no mundo ocidental dos partidos e lideres tradicionais está acabar, como se viu nas eleições francesas.

Caricatura  de Toby & Toby de Theresa May vs Jeremy Corbyn

 

Serralves em Festa: Os caminhos da Ásia

Dia 2 de Junho, 21h,Fundação Serralves
Debate com José Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz, antigo Presidente e Primeiro -Ministro de Timor 
Moderado por  Álvaro Vasconcelos 
Apresentação do orador por Pedro Bacelar de Vasconcelos

Um dos traços mais marcantes do Mundo contemporâneo é a emergência da Ásia, destacando-se quatro grandes polos: a China, a Índia, o Japão e o Sudeste Asiático.
Será inelutável a  emergência da Ásia como centro do Mundo, no século XXI. È a emergência da China e da Índia um risco para o multilateralismo?
Que factores podem perturbar o crescimento económico dos países asiáticos? Que desafios se colocam à Paz ? Existe perigo real de uma guerra na península coreana? Qual o futuro para a democracia na Ásia? É o nacionalismo um risco real?

Esta conferência é organizada em colaboração com Forum Demos, rede cidadã dedicada à promoção do debate sobre a democracia -https://forumdemosnet.wordpress.com.

Macron a Europa aberta

Três gestos marcaram os primeiros passos internacionais de Macron: a visita a Angela Merkel, a receção de António Guterres, o primeiro líder internacional que recebeu em Paris, e a visita ao Mali. A eles se seguiram outros como a cimeira da Nato e a reunião do G7. Em todos o novo Presidente francês reafirmou a sua visão de uma Europa Unida capaz de falar com uma só voz nas grandes questões internacionais . as da segurança, as do aquecimento global e do comércio internacional . Em todos se colocou como o defensor de uma alternativa multilateral, aberta e progressista ao nacionalismo bélico, dos muros e da xenofobia de Trump e seus admiradores europeus. Pode-se , mesmo, dizer que Macron dá continuidade à visão do Mundo que Obama defendeu e levou à abertura a Cuba, ao acordo com o Irão e ao acordo de Paris sobre o clima, que Trump procura torpedear. Com este artigo procuro contribuir para o necessário debate sobre o futuro da União Europeia.

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Macron o anti-Trump

Macron demarcou-se, durante a campanha, das visões nacionalistas da política internacional defendidas por Le Pen, Mélenchon e Fillon, nomeadamente, da complacência ou admiração que nutrem por Putin, que, inclusivamente, apoiou financeiramente e recebeu a candidata da extrema-direita. Macron pode vir a colocar a França como o país que articula uma política internacional de alternativa ao nacionalismo económico, à Islamofobia e ao unilateralismo militar de Trump.
Se há uma área política em que faz todo o sentido que Macron assuma a herança de Hollande é na política internacional, com uma exceção necessária no que respeita à política europeia.

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Niilismo eleitoral

Álvaro Vasconcelos

O debate televisivo entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen foi a demonstração clara do risco mortal que a candidata da extrema-direita representa para a democracia. A sua violência verbal, as mentiras, o discurso do ódio racial, toda uma postura que fez reviver todas os fantasmas de um passado trágico europeu.

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França o destino Europeu

A três dias das decisivas eleições francesas,publico aqui o artigo que escrevi para o jornal  “Público ” nas vésperas da primeira volta. Hamon, Fillon e Mélenchon foram eliminados e a alternativa tornou-se muito clara. Os franceses vão decidir entre Macron e Le Pen , entre a tolerância e o racismo, entre a democracia liberal e o autoritarismo, entre a reforma do processo de integração europeia  e o nacionalismo .

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