[Debate aberto] A Segunda volta das eleições francesas: Que perigos para a democracia e a paz?

O próximo Debate do Forum Demos terá como tema: A Segunda volta das eleições francesas: Que perigos para a democracia e a paz?
O debate será no próximo dia 19 de abril [terça-feira ] pelas 18:00h, por Zoom.
Será sob a forma de debate aberto, ou seja, não haverá oradores iniciais.


O debate será transmitido pelo canal de YouTube do Fórum Demos

Neutralidade Envergonhada

Dias antes da viagem do presidente Bolsonaro à Rússia (16 de fevereiro), o Palácio do Planalto vetou a emissão de um alerta para que os brasileiros que vivessem na Ucrânia deixassem o país e evitassem viajar para o Leste da Europa. Segundo as informações da colunista Malu Gaspar d’O Globo, no Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) a atitude foi vista como uma forma de evitar reações negativas russas nas vésperas da visita oficial de Bolsonaro a Moscovo. A visita, por seu turno, foi considerava como sendo de alto risco pela diplomacia brasileira devido ao impacto negativo que poderia ter noutros projetos do governo, nomeadamente a aproximação à NATO: um acordo de troca de informações sigilosas entre o Brasil e a NATO sobre temas de interesse mútuo. Segundo a BBC, Bolsonaro não é muito conhecido na Rússia e consideram que terá sérias dificuldades para se reeleger. Esta visita ficou ainda marcada pela polémica participação de Carlos Bolsonaro, filho do Presidente e vereador no Rio de Janeiro, cuja presença ainda não foi justificada.

A visita de Bolsonaro, num momento nas vésperas da invasão da Ucrânia, foi vista como uma manifestação de solidariedade com a política de guerra de Putin pela opinião pública ocidental e como tal condenada.

A invasão russa da Ucrânia começou no dia 24 de fevereiro. Bolsonaro só encontraria como justificação para a sua visita a garantia de fornecimento de fertilizantes – que o Brasil importa sobretudo da Rússia – no dia 27.

Apesar da guerra ter já causado centenas de mortes de civis ucranianos, originado uma das maiores crises humanitárias do século na Europa – a ONU deu conta de mais de 2,5 milhões de refugiados nos países vizinhos – e de a Rússia ter quebrado várias leis internacionais e de Direitos Humanos desde o começo da invasão, Bolsonaro afirmou que o povo Ucraniano ao eleger Zelensky “Confiou a um comediante o destino de uma nação” e que utilizar o termo “massacre” era “um exagero”. Num claro apoio a Putin, declarou que defendia a decisão da Rússia de reconhecer as regiões separatistas no leste da Ucrânia, Lugansk e de Donetsk, como independentes.

Na segunda-feira (28), Anatoliy Tkach, encarregado de negócios da embaixada ucraniana no Brasil, afirmou  “Acho que o Presidente do Brasil está mal informado” e “talvez seria interessante ele conversar com o Presidente ucraniano para ter uma visão mais objetiva.”  Bolsonaro respondeu que “não tem o que conversar” com Zelensky. Apesar das posições de Bolsonaro, o Brasil votou a favor da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenou a Rússia pela invasão. Essa posição da diplomacia brasileira foi vista, por vários observadores, como uma rutura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil com a posição do Presidente.

Entretanto, Bolsonaro partilhou um vídeo no dia 1 de março onde diz lamentar a invasão russa à Ucrânia:

“A gente lamenta o que está ocorrendo na Ucrânia e lamenta a invasão. Assim como nós fizemos em setembro de 2021, por visto humanitário, nós permitimos que afegãos viessem ao Brasil. São cristãos, mulheres, crianças. Eu conversei com Carlos França [ministro das Relações Externas], ele disse que já ia tomar as providências [em relação ao visto humanitário aos cidadãos da Ucrânia]”.

A abertura do Brasil aos vistos humanitários é considerada por Tkach um gesto hospitaleiro, mas insuficiente.

Segundo o Lauro Jardim, colunista d’ O Globo, o presidente brasileiro enviou um texto através das mensagens do Whatsapp intitulado “A Única Verdade”, onde afirma “Os mesmos que desejam que o presidente brasileiro tome uma posição firme no conflito Rússia x Ucrânia, são aqueles que desejam tomar de nós a Amazônia”.

Numa visita ao México, o candidato à presidência do Brasil e antigo presidente, Lula da Silva, fez um apelo pela paz e pela resolução diplomática do conflito, “O mundo precisa de paz, de amor, de compreensão. As pessoas querem apenas viver dignamente e por isso fazemos o apelo: governantes baixem as armas, sentem na mesa de negociação e encontrem uma solução. Basta de Guerra. Queremos Paz, Liberdade e Respeito!”. 

Relembrou ainda do seu primeiro mandato presidencial em 2002 quando Bush atacou o Iraque, na qual o posicionamento do governo brasileiro só admitia o uso de força militar após o esgotamento das negociações diplomáticas e que caberia ao Conselho de Segurança da ONU adotar a solução adequada.

A guerra na Ucrânia é já considerada pela Folha de S.Paulo como um assunto incontornável na corrida presidencial no Brasil.

As posições do atual Presidente do Brasil e as ambiguidades da esquerda brasileira sobre a guerra da Ucrânia têm sido criticadas por vários analistas, como Pedro Dallari, Diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP, como “uma atitude inaceitável tendo em consideração a escalada de violência cada vez maior no conflito.”

O voto “de jeito nenhum”.

Ainda a um ano das eleições presidenciais no Brasil surgem mais resultados que indicam a probabilidade elevada de Lula da Silva derrotar Bolsonaro e ser o futuro presidente do Brasil.

Sondagem realizada a 17 de setembro de 2021 pelo DataFolha

Numa pesquisa do PoderData, 36% dos eleitores escolhem Lula como a única opção de voto para as próximas eleições.  Apenas 28% dizem a mesma coisa em relação a Bolsonaro.

No que diz respeito ao potencial de voto, isto é, a soma dos eleitores que apontam Lula como o único candidato em que consideram que “podem votar”, a percentagem é de 58%, seguido de 38% do atual presidente. Quanto aos restantes candidatos, Ciro Gomes e João Doria têm 9%, Sérgio Moro 8%, Eduardo Leite 5% e Rodrigo Pacheco 2% – o que significa que nenhum deles alcança 10%.

Nas sondagens do Datafolha, Lula da Silva é o candidato com menor taxa de rejeição: 38% dos eleitores sondados não votariam “de forma alguma” no petista e 59% não o fariam em Jair Bolsonaro.

O Datafolha faz ainda uma comparação entre os diferentes resultados das últimas sondagens: Em julho, se a eleição se tivesse realizado no dia da sondagem, Lula obteria 46% do total de votos no 1º turno e Bolsonaro com 25%.  Em setembro há apenas uma diferença percentual de 2 valores, mantendo o candidato petista na liderança.


Fontes: Carta Expressa e Datafolha

Lula da Silva seria eleito presidente do Brasil em 2022, segundo a sondagem do Datafolha

A primeira volta para as eleições presidenciais brasileiras está programada para o dia 2 de outubro de 2022. Para já, existem 33 partidos políticos aptos para lançar os seus candidatos.

Nas sondagens mais atuais (11 de julho de 2021) o atual presidente da extrema direita, Jair Bolsonaro, que se encontra sem partido, perderia as eleições para Lula da Silva, antigo presidente pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que em abril viu os seus direitos políticos serem repostos pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo os dados do Datafolha, Lula da Silva teria 46% dos votos na primeira volta se as eleições fossem no momento da sondagem e Jair Bolsonaro cerca de 25%. Na sequência estão Ciro Gomes (PDT), com 8%, João Doria (PSDB), com 5%, e Luiz Henrique Mandetta (DEM), com 4%.

Fonte: Datafolha

A preferência por Lula da Silva fica acima da média entre brasileiros com escolaridade até ao ensino fundamental (equivalente ao 9º ano português) (56%), na parcela mais carenciada, com renda familiar de até 2 salários (57%), na região Nordeste (64%), no segmento dos católicos (51%) e nos desempregados que procuram emprego (64%).

Entre os mais ricos, Bolsonaro fica à frente do petista: 41% a 21% entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários, e 36% a 22% na faixa de renda familiar acima de 10 salários. Na seção de empresários também lidera, com 52% das intenções de voto, contra 25% de Lula. No segmento evangélico, há um estreito empate entre Lula (37%) e Bolsonaro (38%).

Na segunda volta, a realizar-se no dia 30 de outubro, os resultados da sondagem apontam para que Lula tenha 58% das intenções de voto e Bolsonaro 31%. Entre aqueles que optam por Ciro Gomes no 1º turno, 64% migram seu voto para Lula neste cenário, e 17% votariam em Bolsonaro. Na parcela que indica voto em Doria, 49% escolheriam Lula no 2º turno, e 27% preferem o atual presidente. Nas simulações da 2ª volta, Lula vence todos os adversários com quem é confrontado, e Bolsonaro perde para todos.

Seis em cada dez brasileiros (59%) não votariam de forma alguma em Jair Bolsonaro para presidente em 2022.

Mais Informação: Relatório Completo do Datafolha

CD-IEEI: 11 de Setembro – 20 anos depois

Os relógios marcavam 08:46 horas em Nova Iorque quando no dia 11 de setembro de 2001 o voo 11 da American Airlines com destino a Los Angeles embateu contra a Torre Norte do World Trade Center. Quando já o mundo inteiro observava as imagens e se questionava sobre o que estava a acontecer, às 9:03, o voo 175 da United Airlines embate na Torre Sul e cerca de meia hora mais tarde, o voo 77 da American Airlines atinge o Pentágono.

Não restava dúvida: Os Estados Unidos sofriam um violento atentado terrorista que causou quase 3000 mortos e a natureza da sua resposta condicionaria o rumo que este dia traria para o Mundo.

Esta abrupta alteração na ordem internacional foi objeto de numerosas publicações do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais (IEEI), como se pode ver pela lista abaixo, que tratou abundantemente do tema ao longo de vários anos, acompanhando a evolução da intervenção americana no Médio Oriente, as decisões da Administração Bush, o posicionamento da União Europeia e as consequências para a ordem internacional.

Continar a ler: https://www.e-cultura.pt/ieei/artigos/11-de-setembro-20-anos-depois/

Entrevista – Situação do Afeganistão

No passado dia 15 de agosto os Talibãs anunciaram que os seus militares tomaram a cidade de Cabul, causando surpresa na comunidade internacional.
Nesta entrevista dada à SIC Notícias, Álvaro Vasconcelos faz o ponto da situação no Afeganistão, abordando o contexto histórico sobre os Talibãs e as diferenças da sua atuação nas últimas duas décadas, quais as respostas internacionais mais imediatas referentes à violação de Direitos Humanos e qual o posicionamento de algumas potências, nomeadamente os Estados Unidos, sobre esta questão.