Acerca dos amanhãs cantantes do neoliberalismo por Leonardo Costa

A Poesia está na Rua
Pintura de Vieira da Silva – 1974

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘O Nome das Coisas’ – 1977

Em Portugal, cada vez que se comemora o 25 de Abril de 1974, há quem queira também comemorar, por boas razões (dá-se o benefício da dúvida), o 25 de novembro de 1975. A comemorar o 25 de Novembro de 1975, um contragolpe, considero que dever-se-iam também comemorar o 28 de Setembro de 1974 e o 11 de Março de 1975, outros dois contragolpes. É que foram estes três contragolpes que, no seu conjunto, permitiram a consolidação da democracia portuguesa. Clubes à parte, é capaz de ser mais simples ficarmos pelas comemorações do 25 de abril de 1974, o dia inicial em que a poesia esteve na rua.

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Macron, l’élection et l’Europe – Sylvie Kauffmann

Por Sylvie Kauffmann -Artigo  do Jornal Le Monde.Decidimos partilhar este artigo, com a devida vénia ao jornal Le Monde, dada a importância deste artigo, a quatro dias das eleições mais importantes, deste século, para o futuro da democracia francesa e da União Europeia. Esperamos que a leitura do artigo leve muitos a compreenderem o papel central que desempenham nas democracias os jornais de referência e de os apoiar através das assinaturas .


Ils sont fous, ces Français. Vu de Londres, le spectacle a quelque chose de réconfortant, près de six ans après le vote du Brexit pour lequel la moitié des Britanniques continuent de se mordre les doigts : observer les électeurs d’outre-Manche saisis par le doute et tentés par les sirènes souverainistes, il n’y a pas de petit plaisir. Mais sur le continent, le choix offert en France le 24 avril laisse perplexe : pourquoi les Français voudraient-ils se défaire d’un président qui, vu de l’extérieur, a été l’un des dirigeants les plus actifs sur la scène européenne depuis cinq ans, au point parfois d’en irriter ses partenaires ?

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Arranca hoje o Festival TRANSEUROPA!

Arranca hoje o Festival TRANSEUROPA 2022. O festival é organizado pelas Alternativas Europeias e pelo Forum Demos, em cooperação com vários parceiros locais, entre os quais a Cooperativa Árvore, o Município de Valongo, a Universidade Lusófona do Porto e a Universidade do Porto, entre outras.

O programa do festival tem início com a abertura da exposição às 21.00H no Fórum Cultural de Ermesinde, com a abertura da exibição da exposição “Vozes” de Muhammed Muheisen, vencedor de dois prémios Pulitzer.

De 20 a 25 de abril, o Porto recebe a nova edição do TRANSEUROPA, que se realiza pela primeira vez em Portugal. Este festival de arte, cultura e política procura imaginar novos futuros, num diálogo interdisciplinar e intercultural, para criar uma Europa além do estado-nação.

Seis dias de conversas, debates, workshops e assembleias que oferecem uma contra narrativa aos discursos dominantes de crise e ameaça do desconhecido. Com atenção a uma pluralidade de vozes, o programa participa ativamente na desconstrução de espaços de opressão e trabalha na edificação de espaços de liberdade e imaginação, pensando alternativas viáveis e de longo prazo.

Os eventos do festival são gratuitos e abertos, convidando à participação e à inclusão. A inscrição nos workshops deve ser feita através dos formulários que se encontram na página participa do website.

Para dar voz aos temas centrais da edição de 2022 – Decolonizar! Descarbonizar! Democratizar!, o TRANSEUROPA trabalha com instituições e organizações, ativistas e atores nacionais e internacionais, entre os quais se encontra a ciborgue Moon Ribas, a professora emérita Mary Kaldor, o antigo Ministro da Educação no Brasil Renato Janine Ribeiro, a escritora e rapper Tvon, o músico e ativista Vincent Bababoutilabo e a socióloga Marian Lens. Além do mais, entre outras, serão acolhidas as exposições da plataforma Room to Bloom, do coletivo de artistas locais Plataforma UMA e do Grupo EducAR. Durante o TRANSEUROPA terão lugar Assembleias Cidadãs no Porto e em Valongo (Fórum Cultural de Ermesinde), em que cidadãos e cidadãs discutirão temas importantes que giram em torno das alterações climáticas, feminismo, solidariedade e democracia. A Assembleia local irá contar com cinquenta participantes, vindos dos mais diversos cantos do país, selecionados com o apoio de organizações e associações – Costume Colossal, Grupo EducAR, Djass – Associação de Afrodescendentes, UNA – União Negra das Artes, Kalina – Associação Imigrantes de Leste Europeu, Tane Timor – Associação Amparar Timor, União Romani Portuguesa, entre outras.

ASSEMBLEIA CIDADÃ – Como Garantir o Imperativo da Igualdade na Hospitalidade? || 22-23 abril || 14.30h/09.30h || Fórum Cultural de Ermesinde

O Forum Demos, com o Município de Valongo, e em parceria com várias associações portugueses, organiza, no contexto do Festival TRANSEUROPA, a Assembleia Cidadã Portuguese, entre 22 e 23 de abril no Fórum Cultural de Ermesinde. A Assembleia Cidadã Portuguesa está inscrita no projeto Assembleias de Solidariedade da coligação Citizens Take Over.

A iniciativa contará com cinquenta participantes, vindos dos mais diversos cantos do país, selecionados com o apoio de organizações e associações – Costume Colossal, Grupo EducAR, UNA – União Negra das Artes, Kalina – Associação Imigrantes de Leste Europeu, Tane Timor – Associação Amparar Timor, União Romani Portuguesa, entre outras –, que se reúnem para explorar a diversidade, a hospitalidade e a igualdade em Portugal e na União Europeia.

Esta assembleia tem como objetivo explorar a diversidade, a hospitalidade, a igualdade e os direitos fundamentais na União Europeia. Inserida no debate lançado pela Conferência sobre o Futuro da Europa, inscreve-se no tópico “Valores e direitos, Estado de direito, segurança”.

Esta Assembleia é uma iniciativa de envolvimento e comunicação dirigida às associações e comunidades socialmente discriminadas portuguesas (visa ouvir as vozes da Comunidade Cigana, da Comunidade Afrodescendente, e dos Imigrantes e Refugiados), que visa endereçar a questão da garantia dos direitos em três níveis: local, nacional e europeu. Assim, pretende aproveitar as experiências locais e nacionais para criar um projeto que possa moldar o futuro da Europa como uma sociedade caracterizada pela diversidade e que garante a igualdade de direitos e acesso aos mesmos e promova enquanto vetor essencial da sua política externa e interna, tendo em particular atenção às comunidades socialmente discriminadas. Pretende-se, nesta ótica, e tendo em conta a evolução do conflito na Ucrânia, perceber o que é que a União Europeia e os diferentes governos nacionais devem fazer para proteger estes direitos e promover a integração de todos os refugiados, sem discriminação, e como pode inscrever a experiência específica das comunidades locais numa política nacional e europeia, num movimento simultaneamente debaixo para cima e de cima para baixo.

A assembleia contará com a presença de 50 cidadãos (o termo “cidadão” inclui todas as pessoas que vivem em Portugal, com ou sem cidadania), sorteados aleatoriamente, de modo a garantir uma amostra representativa da sociedade portuguesa.

A assembleia será acompanhada por eventos paralelos. Consulte os detalhes na brochura:

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[AGENDA CULTURAL] Performance Musical “Shevek Yiapo” + Apresentação de Livros “Letras em Liberdade” || 23 de abril || 14.30H || Fórum Cultural de Ermesinde

O Forum Demos, com o Município de Valongo, apresentam, no contexto da Assembleia Cidadã “Como Garantir o Imperativo da Hospitalidade na Igualdade?”, uma agenda cultural seguindo a temática da Assembleia, no dia 23 de abril, pelas 14.30H, no Fórum Cultural de Ermesinde. Esta agenda inclui uma palestra musical, “Shevek Yiapo”, por membros da Academy of Migrant Organizing, e uma conversa com autores e apresentação de livros.

“SHEVEK YIAPO” – PERFORMANCE-PALESTRA MUSICAL POR MEMBROS DA ACADEMY OF MIGRANT ORGANIZING

Esta apresentação musical dará uma visão artística do processo e das conclusões em que Berena Yogarajah e Vincent Bababoutilabo têm participado na Academy of Migrant Organizing, em conjunto com o trabalho visual ciado por Vanessa A. Opoku. A performance-palestra musical reflete sobre as suas perspetivas sobre a vida na Alemanha. A banda propõe a junção da música clássica acústica afro-americana dos anos 60 com elementos pop e soukous e a sua própria compreensão política e musical em relação aos desafios sociais e políticos do presente.

Apresentação de Livros – Feira do Livro “Letras em Liberdade”

Hoje, as ameaças que pesam sobre as democracias, o reaparecimento da extrema-direita racista e sexista, o saudosismo do passado colonial são tema de muitos livros. Significativo neste contexto é a emergência em Portugal de toda uma comunidade de afrodescendentes com visibilidade que dão voz a este tema, recusam a narrativa luso-tropicalista e fazem parte de um movimento mais vasto de obras sobre a ditadura e o colonialismo. A feira do livro “Letras em Liberdade” convida ao debate de livros escritos hoje sobre racismo, colonialismo e democracia, como “Um Preto Muito Português”, “Sempre de Acordo”, “De Trump a Putin – A Guerra Contra a Democracia” e “A Neve Quente dos Trópicos – O Brasil Sem a Família Real”.

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[Exibição//Vernissage] “Vozes” de Muhammed Muheisen || 20 de abril || 21.00h || Fórum Cultural de Ermesinde

O Fórum Cultural de Ermesinde acolhe a exposição VOZES, de Muhammed
Muheisen, entre 20 a 30 de abril. Esta exposição fará parte das atividades da Assembleia Cidadã, iniciativa do Forum Demos e do Município de Valongo, no contexto do Festival TRANSEUROPA 2022.

“Vozes” de Muhammed Muheisen, é uma seleção de imagens, captadas ao longo de mais de uma década, que documenta o quotidiano e os desafios que os refugiados e as pessoas deslocadas internamente enfrentam em diferentes partes do mundo. Mostra os seus périplos em busca de um novo lar seguro e o seu estabelecimento em novos ambientes.

A inauguração terá lugar no dia 20 de abril, pelas 21h00, e contará com as intervenções de dois fotojornalistas do Público: Fernando Veludo, que introduzirá a exposição e o trabalho de Muhammed Muheisen – vencedor de dois prémios Pulitzer -, e de Adriano Miranda, que partirá da sua própria experiência enquanto repórter dos refugiados na fronteira a com a Ucrânia.

Esta exposição é possível graças à colaboração da Estação Imagem

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[debate] Descolonizando Fronteiras: Ucrânia e os Caminhos da Europa | 22 de abril || 21.30h || Fórum Cultural de Ermesinde

A invasão da Rússia à Ucrânia constituiu um atentado grave à vida humana e às democracias. A guerra é uma gravíssima violação da ordem internacional e dos direitos humanos dos ucranianos. Provocou também um dos maiores fluxos de refugiados desde a II Guerra Mundial.
O debate Descolonizando Fronteiras propõe sublinhar a tradição humanista, artística e cultural da Ucrânia, os imperativos de uma hospitalidade sem fronteiras e debater os caminhos do futuro europeu e da Ucrânia. O debate Descolonizando Fronteiras será introduzido pela ativista ucraniana Oleksandra Drik.
Este debate faz parte de uma Assembleia Cidadã, iniciativa do Forum Demos e da Câmara de Valongo. Esta iniciativa inscreve-se no projeto “Assembleias de Solidariedade”, criado pela coligação Citizens Take Over Europe.

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Que “Le Chant des Partisans” triunfe!… por Leonardo Costa

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George Bernard Shaw

“O patriotismo é, fundamentalmente, a convicção de que um determinado país é o melhor do mundo porque a pessoa nasceu nele (…)”

George Bernard Shaw

Em França, Mácron e Le Pen passaram à segunda volta das eleições presidenciais, com, respetivamente, 27,84% e 23,15% dos votos na primeira volta.  À esquerda, Mélenchon surpreendeu com a votação expressiva que obteve na primera volta (21,95% dos votos). A segunda volta terá lugar no domingo, dia 24 de Abril. A distância entre os dois candidatos mais votados na primeira volta – Mácron e Le Pen – foi estreita. Mélenchon apela aos seus eleitores para não votarem Le Pen na segunda volta. Todavia, não chega não votar em Le Pen. É preciso votar em Mácron!… A abstenção à esquerda, a verificar-se, contribuiria para eleger Le Pen.

Não chega não votar em Le Pen. É preciso votar em Mácron!…

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[Debate aberto] A Segunda volta das eleições francesas: Que perigos para a democracia e a paz?

O próximo Debate do Forum Demos terá como tema: A Segunda volta das eleições francesas: Que perigos para a democracia e a paz?
O debate será no próximo dia 19 de abril [terça-feira ] pelas 18:00h, por Zoom.
Será sob a forma de debate aberto, ou seja, não haverá oradores iniciais.


O debate será transmitido pelo canal de YouTube do Fórum Demos

Acerca do poder político em Portugal por Leonardo Costa

O poder centralizado no rei sempre foi grande no país. José Mattoso diz que o Estado precedeu a Nação em Portugal. Já no século XIX, numa viagem marítima junto à costa, o rei D. Luis I perguntou a um grupo de pescadores se eram espanhóis ou portugueses. Os pescadores responderam que não: eram poveirinhos pela graça de Deus, do Reino da Póvoa. Referiam-se à Póvoa de Varzim. Ainda durante o período da reconquista cristã, a única região do país que teve um regime senhorial foi o Noroeste, diz José Mattoso. Mas era uma coisa de pequena escala. Mesmo nesta região, o poder do rei era grande.

Camilo Castelo Branco

O centralismo acentua-se com a 2ª dinastia. Mas é com a 4ª dinastia, depois dos Filipes, que a nobreza muda dos territórios para a corte em Lisboa. O facto foi marcante para a configuração centralizada de Estado que temos ainda hoje. As elites políticas e económicas do país são elites muito por se localizarem em Lisboa, junto do poder político central. E por isso, por muito provinciana que seja a sua origem, e é, uma vez em Lisboa as ditas elites sentem que, a partir do Terreiro do Paço, devem ter o monopólio das decisões. Não deixam que existam decisões que possam ser tomadas por aqueles que ficaram nos territórios. Em A Queda dum Anjo, Camilo Castelo Branco retrata, magistralmente, o fascínio que Lisboa capital exerce nas nossas elites e deputados eleitos oriundos da província.

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