José Pedro Monteiro – Memória e Democracia: Colonialismo

José Pedro Monteiro, investigador no CES – Universidade de Coimbra

José Pedro Monteiro começa a sua abordagem com o reconhecimento por todos aqueles que sofreram com o trabalho forçado e com a escravatura e cujas histórias e contributos foram fundamentais para a investigação que tem vindo a ser feita sobre a temática. Não compreende como se pode no séc. XXI assumir a narrativa de que Portugal foi dos primeiros países a abolir a escravatura sem ter em consideração a problemática do trabalho forçado.

As duas ideias principais debatidas passaram pela compreensão de como a abolição da escravatura foi feita sobre a missão civilizadora, servindo como justificação para a ocupação dos territórios africanos, e de como a legitimação das conceções racializadas sobre o africano levam à legalização do trabalho forçado nos Impérios europeus. No caso do império português, derivado da sua insuficiência económica, o que se pode observar é que só mais tarde, em 1926,
surge uma diferenciação entre os cidadãos nacionais e as populações indígenas, apesar de já haver antes uma diferenciação na lei laboral.

De uma maneira geral, a centralidade da missão civilizadora durante a expansão do séc. XIX é feita sobretudo através da imposição do trabalho forçado. No começo do século XX começam a existir nestes territórios ocupados por outras potencias europeias mais debate público e político, um aumento das revoltas sociais contra o sistema e a procura por mais direitos civis. O Estado Novo recusa aberturas a este tipo de debate, temendo que o mesmo se sucedesse com os territórios coloniais portugueses, tendo, por isso, prolongado a questão por mais tempo. De uma forma geral, defendia-se que o trabalho forçado era a única forma de organização laboral no Império.
Para José Monteiro, apenas é possível ver as mudanças que ocorreram se olharmos além do Império Português e o contexto geopolítico.
Por fim, reforça a ideia de que o conhecimento geral sobre o trabalho forçado e a escravatura em Portugal é, de modo geral, ausente, apesar de existir uma vasta biografia e investigação feita sobre a temática.

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