Evalina Gomes Dias – Memória e Democracia: Colonialismo

Presidente DJAAS – Associação de Afrodescendentes

Evalina Dias começa a sua intervenção afirmando que a presença de afrodescendentes na discussão sobre racismo e sobre o colonialismo é uma conquista depois de muitos anos a tentar ganhar voz. Salienta o esquecimento sistémico de que afro-portugueses sofrem como cidadãos portugueses de pleno direito: é frequente, conta, afro-portugueses serem questionados sobre a sua “real” origem, como se Portugal não pudesse ser a sua real origem. Existe, explica, uma certa dificuldade em reconhecer o português negro, que não é aceite pela estrutura cultural – e mesmo política – vigente.

Na sua opinião, o legado do colonialismo é esta relação de diferenciação de poderes entre brancos e negros e que permanece evidente na sociedade portuguesa contemporânea: a população negra está concentrada na
periferia, com mais diferenciação económica e empregos menos qualificados. Denuncia, aliás, que os alunos afrodescendentes são encaminhados com mais frequência para o ensino profissionalizante – o trabalho surgindo estereotipicamente como rendição e vocação do negro.

Outra preocupação que aponta é a forma como a história colonial é apresentada, sem evidência sobre a história dos países colonizados e das populações vitimizadas pelo conflito, que é assimilada e secundarizada sobre a égide da “história do império”. A posição de perdedor da Guerra Colonial e o desfecho do conflito são questões abordadas de forma problemática na educação histórica portuguesa.

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