Ana Cristina Pereira – Memória e Democracia: Colonialismo

Investigadora no CES – Universidade de Coimbra

Ana Pereira começa a sua intervenção sublinhando que a presença de mulheres negras em espaços de debate e discussão, como foi o debate em causa, não é algo adquirido, mas sim resultado de uma luta extensa e dura para ter voz e conquistar esse lugar – e que mesmo assim este ainda não é adquirido.

Na sua opinião, o passo mais importante a dar para começar a resolver a questão do racismo sistémico é a desconstrução da falsa diferenciação entre o conceito de colonialismo enquanto regime e o colonialismo como forma de representação do mundo. Já que este último é o mais difícil de desconstruir uma vez que a reprodução eurocêntrica, racista e patriarcal de conceção do
mundo causa todo o tipo de estigma sobre a questão racial e não inibe discursos alternativos.
A ideia de que o Europeu vai sempre “dar” algo às comunidades africanas é algo que existe desde o começo da expansão marítima: o europeu “dá” a civilização, a religião e nunca “tira”.
Ana Pereira utiliza como exemplo atual a indústria do cinema, que usa atores africanos com o argumento de que estão a “dar voz” e “dar oportunidade” aos africanos e à cultura africana de participar nos filmes, sendo que na realidade são os ocidentais a serem reconhecidos pelo trabalho final.
Quando questionada sobre o significado da temática para os afrodescendentes, Ana Pereira afirma que tem hoje o mesmo significando que sempre teve: não há vagas, nem espaço ou oportunidades para os afrodescendentes, que continuam numa luta perpétua.
Ao analisar a questão sobre quais entidades estão por trás do discurso benevolente sobre o passado colonial português, Ana Pereira acredita que seja um grupo minoritário que beneficie com este discurso. O real problema é que eles justificam os seus privilégios fazendo com que todos abaixo de si acreditem que partilham desses privilégios e benefícios do discurso, que serviria para manter a autoestima nacional. Combater um discurso hegemónico deste tipo, que é assumido como bom senso pela maioria da população, é um dos maiores desafios dos movimentos anti-racistas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: