[síntese] Conclusões | Memória e Democracia: Direitos Humanos

Álvaro Vasconcelos sintetiza, num momento final, as ideias principais do debate em dois pontos significativos:

1 . é urgente conhecer o trabalho histórico do passado para que se aprenda não só com os crimes cometidos pelas ditaduras, mas também com os erros políticos cometidos pela oposição às correntes de extrema-direita no passado. Como foi dito no debate, a extrema-direita não chega ao poder através de maiorias absolutas, mas pela formação de alianças, como são os exemplos de Itália, da Áustria e da Dinamarca há uns anos atrás. Isto é o que pode acontecer também em Portugal. Apesar de ser improvável que a extrema-direita consiga formar governo sozinha, e de não corrermos o mesmo risco que correu o Brasil de termos um presidente da extrema-direita, existe a possibilidade de a extrema-direita ter um número suficiente de deputados para ser indispensável a um governo de direita e a direita democrática acabar, por consequência, por ser contaminada pela direita antidemocrática.

Estas lições do passado, e o exemplo alemão é extraordinário caso disso, e de como os partidos políticos não foram capazes de se unir para travar a ascensão do nazismo são hoje muito importantes. E vê-se isto atualmente muito claramente no debate francês sobre as próximas eleições, em que há eleitores de esquerda que dizem que se a escolha for entre Macron e Le Pen, ou abstêm-se ou alguns votam em Marine Le Pen.

2 . Sobre o salazarismo e apesar de, como disse José Vera Jardim, se a extrema-direita chegar ao poder o seu governo será diferente do salazarismo, é necessário sublinhar que o salazarismo continua a ser popular em certos setores da sociedade portuguesa. O combate ao salazarismo e à ideologia que este defendia não deixou de ser importante. O saudosismo do passado não é só – muitas vezes não é de todo – o do passado da ditadura, é o do passado patriarcal, em que as mulheres não tinham direitos, em que as crianças eram agredidas violentamente nas escolas, em que o ensino acabava, para a maioria das pessoas, na quarta classe, do pai como figura central e autoritária. E, portanto, esse passado tem de ser conhecido. É a romantização do passado que permite as retrotopias e que tem de ser desconstruída. Interessa não só denunciar como era a ditadura, mas também como era a vida da sociedade nessa altura, que direitos as pessoas não tinham.

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