Debate on-line: A União Europeia perante a Crise Económica e Social – Resumo das intervenções

 

 

Luís Braga da Cruz – Luís Braga da Cruz fez o balanço estatístico das primeiras semanas de pandemia em Portugal. Passamos de crescimentos de novos casos confirmados, numa primeira fase, de 35 a 40%, por dia, para crescimentos atuais de 5 a 10%, dia. Referiu que as medidas de contingência estão a surtir efeito e que, de um crescimento inicial muito elevado, passamos, hoje, para uma situação mais controlada.

 

Leonardo Costa – Para Leonardo Costa, persiste muita incerteza económica a começar pela duração da própria crise que é uma derivada da duração da pandemia. Refere estarmos perante uma crise, simultaneamente, da procura e da oferta. O Banco de Portugal fala em “hecatombe nas exportações” e níveis enormes de desemprego. A recuperação provavelmente não será rápida.

 

Teresa de Sousa –  Teresa de Sousa referiu não ter ainda conseguido descortinar um sinal de que as coisas ainda se possam compor ao nível europeu. Relembrou que Chanceler Merkel se referiu a esta crise como uma prova de vida para a UE e que ou se verifica uma inversão rápida do caminho que a União tem estado a tomar ou a dissolução da União estará em cima da mesa.

 

Francisco Seixas da Costa – Na sua análise, Seixas da Costa referiu que se verifica, hoje, uma repetição dos erros cometidos pela UE durante a chamada crise das dívidas soberanas. Segundo a sua visão, prevalece um egoísmo nacionalista em muitas longitudes da União, impossibilitando-se, assim, uma ação conjunta e coordenada, capaz de evitar o disparar dos juros das dívidas dos estados. Conclui dizendo que tal situação projeta uma imagem muito negativa da UE, quer para dentro quer para fora, o que, em última instância, poderá significar o seu fim. No final de sua intervenção, uma referência positiva: o facto de o país a estar em situação mais difícil – a Itália –  ser um estado fundador da UE e de dimensão grande pode vir a ajudar países médios e pequenos, como Portugal.

 

Guilherme d´Oliveira Martins – Guilherme d´Oliveira Martins começou a sua intervenção constatando o facto de que estamos perante uma crise atípica. “Havia uma economia a funcionar e que foi interrompida, de uma forma nova e abrupta”, disse ele. Partindo deste pressuposto, aventou que “mais do que nunca” necessitamos da solidariedade europeia. Na independência americana ocorreu uma mutualização da dívida para as despesas essencialmente de guerra, despesas que diziam respeito a todos os estados. A UE vive um período, em certos aspetos, semelhante, o que exigirá medidas próximas, disse.

 

Pedro Bacelar de Vasconcelos – Pedro Bacelar de Vasconcelos referiu que a UE está perante a tempestade perfeita. Falta solidariedade perante uma situação que nada tem a ver com laxismo orçamental. Salientou o facto de haver estados europeus a receber mais ajuda da Rússia e da China do que da UE, algo que considerou inaceitável e insustentável. Presente em toda a sua intervenção esteve a ideia de que esta situação pode significar o fim do projeto europeu.

 

Isabel Valente – Esta crise, sanitária, económica, política está a ser um alimento para o populismo e uma oportunidade para forças políticas autoritárias aumentarem o seu poder, referiu Isabel Valente. Acrescentou que esta sua constatação não se prende apenas com o que está a acontecer na Hungria. A própria Comissão Europeia pediu a várias operadoras de telemóveis que lhe disponibilizassem dados privados acerca dos seus clientes. Exemplos destes têm-se multiplicado por toda a UE e por todo o mundo. São medidas, por ora, necessárias mas perigosas. A sociedade e o poder político têm de se manter vigilantes, disse.

 

José Luis da Cruz Vilaça

José Luís da Cruz Vilaça – Um autointitulado otimista diz-se pessimista quanto ao futuro da UE. A União entrou numa nova crise sem sequer ter já saído das anteriores. Os estados membros persistem em não dotar a UE dos instrumentos necessários. Pensando no preocupante caso da Hungria, com todos os desenvolvimentos recentes que por lá se têm passado e que atentam contra a democracia, José Luís da Cruz Vilaça indagou os restantes participantes do debate se a UE resiste à existência de uma ditadura no seu seio e, se sim, se nós, portugueses, queremos fazer parte de uma união assim.*

 

*Uma vez que, devido a alguns problemas técnicas, não foi possível a intervenção oral de José Luís da Cruz Vilaça, o seu contributo foi feito por escrito e partilhado com os restantes participantes durante o debate, razão pela qual não é possível partilhar a gravação da sua intervenção.

 

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