A queda do Muro 30 anos depois: que balanço? Em debate.

Depois do Muro, outros muros…

Por Ilda Figueiredo

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Fazer o balanço, 30 anos depois da queda do Muro de Berlim implica, antes de mais, olhar à volta e reparar nos muitos muros que se ergueram e os muros que continuam, e verificar quem são os seus responsáveis. O muro dos EUA contra o México já antigo, mas que Donald Trump quer prolongar; os muros de Israel contra a Palestina, na Cisjordânia e em Gaza, territórios que coloniza e onde viola permanentemente os direitos humanos com apoio dos EUA e seus aliados, mantendo nas prisões israelitas mais de cinco mil palestinos, entre os quais muitas centenas de crianças; o muro no Saara Ocidental colonizado por Marrocos, onde as perseguições prosseguem; o autêntico muro em que transformaram o Mediterrâneo, onde milhares de imigrantes e refugiados continuam a morrer ao fugir da guerra, da violência, da pobreza, da escravidão. Mas também não faltam muros na Europa, como em Chipre que, apesar de ser membro da União Europeia, continua com o norte da ilha ocupado pela Turquia; dos muros que a Hungria e a Bulgária também construíram para impedir a chegada de refugiados de guerras que a própria União Europeia tem apoiado, para além daqueles muros imaginários que as desigualdades sociais provocam.

Mesmo que alguns tentem reescrever a história, a realidade é mais cruel do que todos os revisionismos históricos, demonstrando que não se assistiu ao “fim da história” e que as tragédias a que assistimos e todas as que continuamos a viver são uma ameaça ao futuro da humanidade, sobretudo se não avançar o desarmamento nuclear como tantos têm alertado, incluindo, ainda recentemente, o Papa Francisco na sua viagem a Hiroshima e Nagasaqui, as cidades destruídas pelas bombas atómicas dos EUA há quase 75 anos.

 Mais insegurança e maiores desigualdades sociais, incluindo entre estados, são, pois, dois traços fundamentais do mundo de hoje, onde o neoliberalismo campeia, demonstrando que não é a solução para o desenvolvimento e o progresso que os povos anseiam. Ninguém pode esconder o agravamento da insegurança com os tratados internacionais rasgados impunemente pelos EUA, desde o Acordo sobre armas nucleares de alcance intermédio, ao Tratado do comércio de armas até ao acordo sobre o Irão e o do clima.

A contínua ingerência externa, visando controlar matérias primas e rotas estratégicas, o ataque à soberania dos povos e ao seu direito soberano de escolherem o seu caminho têm sido uma constante dos EUA, muitas vezes com apoio das potências da União Europeia e dos seus aliados, cujas consequências são a destruição e morte que conhecemos, como no Iraque, na Síria e na Palestina, no Iémen, em África e na América Latina onde os norte-americanos voltaram aos diversificados golpes de estado para tentar manter o que consideram ser o seu quintal das traseiras, pondo em prática a tristemente célebre doutrina Monroe.

Mas os povos lutam e continuarão a fazê-lo até conseguirem fazer valer os seus direitos, como estamos a ver em muitos lados, procurando construir alternativas de governo onde seja possível o progresso social e a paz.

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