A UTOPIA TECNOLÓGICA

Resumo da Sessão A UTOPIA TECNOLÓGICA – A INOVAÇÃO AO SERVIÇO DA HUMANIDADE

Por Filipa M. Ribeiro*

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Introduzido pelo filme Gattaca, o debate subordinado ao tema “Utopia Tecnológica – A Inovação ao serviço da Humanidade”, começou com a intervenção do Engenheiro Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação da União Europeia. O orador iniciou a sua prelecção com duas questões que, na sua opinião, devem estar na base de qualquer questionamento: qual a utopia que queremos e que tipos de utopias?

“Por exemplo, se eu pensar num mundo sem plástico, preciso de uma utopia criativa compatível com a liberdade humana, mas com potencial para a aumentar. Porque, na ciência, as utopias definem metas sociais aos cientistas inovadores. Cada vez é mais precisa uma mission-driven science. Há que explicar porque é importante investir em Ciência”.

Carlos Moedas lembrou ainda que a utopia tem sempre uma história e é positiva quando implica uma conexão social. O também engenheiro civil exemplificou com a questão da Inteligência Artificial em que se observa medo por parte das pessoas. “O pior que temos hoje a fazer é olhar para a frente com medo”, observou.

 

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Para o comissário europeu, aquilo que as pessoas mais adoram é o ‘eu’. E, por isso, num tempo de selfies, “como é que vamos reforçar o futuro do ‘eu’ tendo em vista o futuro do ‘nós’”, alertou. Esta é a grande questão à volta da tecnologia, acrescentou. Em jeito de ‘puxar a brasa à sua sardinha’, Carlos Moedas defende que a Europa é o único ponto do mundo com uma visão realmente humanitária.

Recorrendo ainda a outro exemplo, Carlos Moedas pergunta: “O que quermos que a Inteligência Artificial seja? Queres que ela te substitua ou complemente?”. Por outro lado, “será que a tecnologia nos levará de um estado utópico, a um distópico? “Tudo depende das escolhas políticas que temos pela frente”, refere.

O Comissário deixou claro que, mais do que as descobertas e avanços da Ciência, são as escolhas políticas que ditarão o futuro. Na parte do debate, o Comissário piscou ainda o olho à investigação fundamental e às ciências sociais. “A terceira vaga de tecnologia será a ciência fundamental. Já as ciências sociais são muito importantes porque são as únicas que não são digitalizáveis”, concluíu.

George Gaskell

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O psicólogo britânico apresentou diversos pontos relacionados com edição genética, tendo como documento de base o seu trabalho, publicado em 2017, na revista Nature Biotechnology, Public views on gene editing and its uses. Em geral, a biotecnologia verde (agbio) tem sido mais controversa em relação à biotecnologia médica que só, em casos muito específicos como a clonagem da ovelha Dolly, é que chamou a atenção. Como em muitas tecnologias, o autor considera que o público em geral está preocupado com as aplicações, sendo estas que estão na base dos julgamentos morais acerca das mesmas. Por outro lado, os cientistas tendem a focar-se na tecnologia em si. Para Gaskell o foco exclusivo na tecnologia pode levar a uma regulação inconsistente, mas fora apenas nas aplicações, sendo estas específicas de país para país também pode trazer problemas. Por exemplo, os decisores políticos devem priorizar os interesses nacionais ou procurar um enquadramento transnacional que guie e inovação tecnológica? Sobre a questão das utopias, Gaskell diz que não há um critério objectivo para saber se o estado actual é utópico ou distópico e a utopia de alguém pode ser a distopia de outra pessoa.

Olga Pombo

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Em comentário às duas intervenções principais, Olga Pombo evocou a obra Cólera e Tempo de Peter Sloterdijk e dizendo que a utopia tecnológica está ao serviço da Ciência. Mas “é essencial darem-nos o poder da participação, senão entramos numa de cólera”, advertiu.

*Filipa M. Ribeiro – Jornalista de ciência, mestre em comunicação e educação em ciência, doutorada em sociologia da educação, mestranda em história da ciência. Fundadora do Stop Suicídio, ativista pelos direitos humanos e dos animais. E, sobretudo, dedicada incondicionalmente a conhecer.

** Fotografias: Serralves.

 

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