Noites e luzes da América

Não posso deixar de me lembrar de uma visita recente a Bragança, onde li, nas muralhas do velho castelo, numa parede negra, a longa lista dos brigantinos que morreram na I Guerra Mundial e a lista, não menos longa, dos que morreram na Guerra Colonial.

Não, Portugal não é uma ilha. O nacionalismo e a guerra não nos são estranhos e as pulsões identitárias também por aqui florescem, como se pode observar nos apoios a Trump e a Bolsonaro.

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Ao contrário do que muitos previam, foi a agenda dos valores liberais do “politicamente correto” que mobilizou os eleitores, com as organizações feministas a desempenharem um papel fundamental.

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Ler aqui “Noites e luzes da América”

https://www.publico.pt/2018/11/20/mundo/opiniao/noites-luzes-america-1851633

 

Colóquio: Os maios de 68 e o futuro da Europa

O Fórum Demos, em colaboração com o grupo de investigação Europeísmo, Atlanticidade e Mundialização do CEIS20 – UC, convida para mais um Colóquio, desta vez dedicado ao tema “Os maios de 68 e o futuro da Europa”.

O Colóquio terá lugar na Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, no dia 23 de novembro pelas 14H00 e contará com a participação de Jacques Rupnik (Director de Investigação na Sciences Po, Paris), José Rebelo (Professor Catedrático do ISCTE em Ciências da Comunicação), Guilherme d’Oliveira Martins (Presidente do Grande Conselho do Centro Nacional de Cultura e Administrador Executivo da Fundação Calouste Gulbenkian) e Álvaro Vasconcelos (anterior Diretor do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia).

Os maios de 68 e futuro da Europa

O objetivo deste colóquio é discutir as heranças de 68, nomeadamente, no contexto do debate europeu atual. Paul Ricoeur, reitor da Universidade de Nanterre – onde a revolta estudantil começou -, referindo-se aos acontecimentos de 68, escreveu na revista Esprit: “O Ocidente entrou numa revolução cultural (…) porque questiona a visão do mundo, a conceção de vida subjacente à economia, à política e ao conjunto das relações humanas. (…) Uma revolução que ataca o niilismo de uma sociedade que, tal como um tecido canceroso, não tem outro objetivo que não seja o crescimento”. Porém, o desejo de liberdade e de uma sociedade mais justa não se fez sentir só no Ocidente, tendo assumido formas muito diversas pelo mundo, como por exemplo, a primavera de Praga que foi um outro Maio europeu, que foi um “desejo de Ocidente”. O regresso à Europa, o slogan da revolução de veludo de 1989, fazia parte das aspirações checoslovacas de 1968 – escreveu Jacques Rupnick. As utopias democráticas e sociais dos anos 60, 50 anos depois, são postas em causa pelos abalos provocados pela crise financeira e pela emergência do populismo, o que justifica revisitar aqueles anos, na perspetiva de procurar entender as tendências que, desde então, forjam o futuro da Europa.

Coordenação Científica: Álvaro Vasconcelos e Isabel Maria Freitas Valente
Comissão Organizadora: Isabel Maria Freitas Valente e F. Marina Azevedo Leitão

*Programa disponível em pdf: AQUI.

Contamos com a V/ presença e participação.

Fórum Demos.

 

A Democracia na União Europeia: tarefa inacabada (*)

Por Gonçalo Marcelo* untitled_0(*) Este texto foi escrito como introdução ao Encontro com os Cidadãos L’union européenne au-delà du status quo: le défi democratique, o qual teve lugar na Delegação de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, a 25 de Abril de 2018.

O projeto da União Europeia foi sempre marcado, ao longo da sua história, por uma tensão constitutiva entre a ambição dos seus fundadores e dos seus líderes políticos, e um sentimento partilhado por alguns cidadãos europeus de que as suas opiniões têm pouca influência nas decisões europeias. Não há dúvida que a defesa da democracia liberal é, juntamente com o mercado livre e o respeito pelos princípios do Estado de direito, uma das componentes essenciais deste projeto. Mas, na distância que separa o ideal da prática efetiva, tem-se jogado muita da credibilidade do projeto europeu e do seu alegado défice de legitimidade.

Como nota o Presidente Macron no seu discurso da Sorbonne, existe hoje na Europa um fascínio pela democracia “iliberal” que, no contexto da ascensão do populismo de direita, volta a tornar atrativas ideias (nacionalismo soberanista, xenofobia) que se criam ter sido definitivamente remetidas para o caixote do lixo da história. Parte da responsabilidade por este estado de coisas tem sido atribuída à forma concreta como a Realpolitik europeia tem sido conduzida. Tendo a configuração da construção europeia sido levada a cabo por decisores políticos que, na prática, quase sempre se comportaram como uma elite, uma “vanguarda esclarecida”, permanece em aberto a questão de saber se a União Europeia tem a capacidade de democratizar cada vez mais os seus processos de tomada de decisão. Continuar a ler “A Democracia na União Europeia: tarefa inacabada (*)”

O cidadão da utopia e a UE-topos da cidadania

Kant

Por Jéssica Moreira*

Quando Kant imagina uma proposta para a União – ou federação, como também lhe chama – das Nações do Mundo, a que hoje chamamos União Europeia, na obra Para a Paz Perpétua (1795), crê-a objetivo último da Europa e, enfim, da Humanidade, cujos princípios se refletirão inevitavelmente na tolerância, no estado de direito, da liberdade, da interdependência e interajuda das Nações. Percebe este projeto como necessário uma vez que consequência racional do Estado Civil: da mesma forma que, a la Hobbes, a humanidade se vê racionalmente – e moralmente – motivada para a formação do Estado Civil, então também o Estado Civil se vê racionalmente obrigado a reconhecer a necessidade da formação de um estado de paz perpétua entre todos os Estados do mundo. Continuar a ler “O cidadão da utopia e a UE-topos da cidadania”

Do interior para o exterior: notas para uma cidadania consciente

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Por Filipa M. Ribeiro*

Este artigo é uma síntese de um ensaio mais desenvolvido que consiste numa orientação teórica em evolução que se pretende simbiótica entre a ideia de sustentabilidade e a preparação do futuro, com relevante ênfase nos Direitos Humanos, na Ética da Terra, no desenvolvimento e na cultura. 

I – Entreter ou resolver

Passados quase 54 anos, continuamos a dar prioridade a uma crise de mercados virtuais e a negligenciar as mudanças que temos de fazer e de ser de forma ainda mais premente. A mudança vai acontecer, mas é melhor que seja pela acção consciente de cada um de nós e não pela acção compulsiva de acontecimentos como crises financeiras ou desastres naturais. Esta acção consciente passa, primeiro, por alargar o nosso círculo de responsabilidade e responsabilização pela forma como vivemos diariamente em relação ao Ambiente, aos Animais e à Terra. Segundo, viver diariamente o ideal de trabalhar para o benefício material, social e espiritual de todo o planeta. Terceiro, agir, com conhecimento e vontade, para resolver as situações e formas de sofrimento infligidas na humanidade e na natureza. 

II – A SOCIEDADE SOMOS todos NÓS

Tudo pode ser reciclado, incluindo as bases essenciais da nossa identidade e cultura. É uma nova atitude perante a vida, que nasce da observação, da reflexão e da prática de muitos grupos e pessoas que, em todo o mundo, se aperceberam que atravessamos uma crise civilizacional grave, para a resolução da qual se torna necessário demolir velhos (pre)conceitos, valores e poderes, bem como definir caminhos alternativos que valorizem a criatividade individual e coletiva que respeite a vida, o ambiente, a natureza, o ecossistema, a atmosfera, a água e a condição humana. Continuar a ler “Do interior para o exterior: notas para uma cidadania consciente”

A Utopia Democrática – Cidadania Europeia: do ERASMUS ao futuro

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No próximo dia 19 de Novembro, pelas 21h30, no Auditório de Serralves, terá lugar o quarto debate do ciclo de conferências “Utopias Europeias: o poder da imaginação e os imperativos do futuro” dedicado ao tema A UTOPIA DEMOCRÁTICA – CIDADANIA EUROPEIA: DO ERASMUS AO FUTURO.

Este será um debate entre os que defendem a utopia de uma Europa democrática, com uma constituição federal, partidos e ciclos eleitorais europeus, onde a Comissão e o seu Presidente resultam dos resultados das eleições e os que consideram que a União Europeia é uma construção sui generis onde a dimensão intergovernamental é essencial para garantir o equilíbrio entre os Estados e preservar as identidades nacionais.

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O debate contará com a presença e participação de Ana Paula Zacarias (Secretária de Estado dos Assuntos Europeus) e Niccolò Milanese (fundador da “European Alternatives” e co-autor do livro “Citizens of Nowhere: How to save Europe from Itself”) como oradores, questionados por um painel constituído por: Catarina Neves (Membro do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (NERI-UP) e Vice-Presidente e Membro Fundador da Bringing Europeans Together Association Portugal), Gonçalo Marcelo (Professor Convidado na Católica Porto Business School e Investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra) e José Santana Pereira (Professor Auxiliar no Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas do ISCTE-IUL).

O debate será moderado por Carlos Jalali, Professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro.

Esta conferência está integrada nos “Encontros com os Cidadãos” sobre o futuro da Europa, uma  iniciativa coordenada pela Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus .

O acesso é gratuito, mediante levantamento de bilhete na bilheteira da Fundação de Serralves.

Mais informação sobre a sessão: AQUI.

Mais informação sobre o ciclo: AQUI.

Contámos com a V/ presença e participação.

Fórum Demos.

Cidadania europeia : a utopia realizável

Portugal+protesto+praca+do+comercio+que+se+lixe+a+troika

O futuro da União Europeia encontra-se ameaçado pela crise das democracias nacionais.
A crise das democracias nacionais é mundial, estende-se das Américas à India, passando pela Europa e resulta de um enorme descontentamento de uma parte significativa dos cidadãos perante as limitações da democracia representativa e dos partidos do centro político que a defendem. Consideram que os partidos de governo estão prisioneiros dos interesses egoístas de uma minoria que culpam pela crise de 2008 e pela enorme desigualdade que ela revelou. Confundem, na sua raiva, as elites dominantes com um cosmopolitismo liberal, defensor dos direitos fundamentais, que sempre tiveram dificuldade em aceitar.

Na Europa, esta crise é agravada pelo facto de a integração europeia se ter aprofundado desacompanhada da construção de uma democracia supranacional que daria sentido pleno a uma cidadania europeia. Como reconheceu o Presidente Macron “Os pais fundadores construíram a Europa longe do seu povo, porque eram uma vanguarda esclarecida”. Continuar a ler “Cidadania europeia : a utopia realizável”

O Brasil depois das eleições – Intervenção de Renato Janine Ribeiro

Vídeos com as declarações de Renato Janine Ribeiro (Professor de ética e filosofia política, cientista político e ex-ministro da Educação do Brasil – 2015), apresentados no Debate ‘O BRASIL DEPOIS DAS ELEIÇÕES: QUE RELAÇÕES COM PORTUGAL?’, que decorreu no dia 31 de outubro, pelas 18h30, na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura.

Vídeo número 1:

Vídeo número 2:

Vídeo número 3:

O debate, moderado por Álvaro Vasconcelos (antigo diretor do IEEI, coordenador do livro Brasil nas Ondas do Mundo), contou com a intervenção de Marcela Uchôa (Vice-Presidente da Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra), Francisco Seixas da Costa (Embaixador) e Guilherme d’Oliveira Martins (Centro Nacional de Cultura).

Antes do apagar das luzes

BrasilAcordemos antes que as luzes se apaguem no Brasil. A normalização de Bolsonaro é uma ilusão, como aprendemos com Trump.

 

Como disse Milton Hatoum, recorrendo a Grande Sertão: Veredas, obra-prima de Guimarães Rosa: “Todo o caminho da gente é resvaloso… tenho medo? Não. Estou dando batalha.”

https://www.publico.pt/2018/11/03/mundo/analise/apagar-luzes-1849687?fbclid=IwAR3zZQhrLLUm7UNmNzUA94nmegZl4hU8O9T4-5GINjk970Bm4CWKOVfm5Cc

Primeiras Impressões

(Crónica – Observatório das Eleições Brasileiras 2018)

Por Paulo Timm*

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Pedro Cardozo, o “Agostinho” de A GRANDE FAMÍLIA fala para os portugueses – https://www.facebook.com/diogo.legionario/videos/1877001882419267/?t=459

O processo eleitoral correu satisfatoriamente no Brasil, apesar das manipulações dos fakenews, não restritas ao nosso país. Vamos ter que aprender a lidar com isso no futuro. Uma constatação positiva: Parece que  demos um fim às campanhas milionárias financiadas com desvio de recursos públicos.

Quanto aos resultados, demonstram que o país é bastante dividido entre esquerda x direita. Nas últimas eleições , de 2002 a 2014, a maioria ficou com a esquerda. Desta vez, ficou  com a direita ou o que se parece com um e outro, além do que diferencia um do outro enquanto Projetos para o Brasil. O país, enfim, está dividido ideologicamente, o que não é ruim, como muitos pensam. Ruim é a intolerância e pior ainda o recurso à violência na defesa das posições. Ainda chegaremos ao ponto em que estão Portugal e Chile, onde as diferenças, profundas, são partes da vida pública. Ruim, também a diluição das posições mais centristas, até aqui representadas nacionalmente pelo PMDB, o qual foi varrido sem apelação. Continuar a ler “Primeiras Impressões”