Marine Le Pen e seus aliados derrotados em Portugal

 

O organizador da Web Summit, Paddy Cosgrave, retirou o convite a Marine Le Pen, como o nosso abaixo-assinado exigia, e, até hoje, não voltou [de novo] atrás com a sua decisão, pelo que  consideramos atingido o nosso objectivo essencial e, terminando a recolha das assinaturas, gostaríamos de agradecer a todos os que contribuíram para o sucesso desta campanha de um dia.


Citando o exemplo de Mário Soares, solicitámos também uma tomada de posição do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, o que, infelizmente, não aconteceu.
O abaixo-assinado do Fórum Demos foi uma de várias iniciativas da sociedade civil que contribuíram para que Paddy Cosgrave  declarasse, na tarde do dia 15 de Agosto: “It’s clear to me now that the correct decision for Web Summit is to rescind Marine Le Pen’s invitation. ”
A mobilização da sociedade civil, perante o silêncio dos políticos, é a melhor forma de defender a Democracia e a integração europeia. O que mais uma vez fica provado com o recuo dos organizadores da Web Summit.
Rui Tavares, um dos nossos primeiros subscritores, escreveu, depois de se referir ao abaixo-assinado do Fórum Demos: “Este recuo da Web Summit revela como vale a pena mobilizarmos-nos pela defesa dos nossos valores democráticos.”
O próprio Paddy Cosgrave declararia que as reacções nas redes sociais foram um dos factores que o levaram a considerar que a presença de Marine Le Pen “era uma  ofensa nomeadamente para o país que acolhe a Web Summit”, ou seja, Portugal. Não disse, como devia ter dito, ser uma ofensa para a Democracia e colocou a questão em termos de relações públicas, como já tinha feito, na véspera, ao escrever que retiraria o convite, se o Governo Português pedisse.
É bom lembrar que Paddy Cosgrave defendeu o “bem fundado” do convite a Marine Le Pen com o exemplo do impacto positivo que tiveram os convites aos dois campos da guerra civil irlandesa e a oposição oferecida por muitos a esse convites, nos anos  80. Não se percebe o argumento, já que se tratava de fazer a paz entre os dois campos da guerra civil – quererá Paddy Cosgrave fazer a paz entre a extrema-direita europeia e quem? Será entre a extrema-direita e os democratas e opositores do racismo? Se for, é precisamente o que não queremos, pois tal seria aceitar a banalização do discurso do ódio racial e procurar conciliar as posições dos defensores da democracia liberal com os nacionalistas. Infelizmente, essa tem sido a posição de muitos políticos europeus com os resultados que se conhecem. Pensemos na coligação, por exemplo, que governa a Áustria.
Perante as justificações incoerentes e perigosas do organizador da Web Summit  o melhor é continuarmos vigilantes, não vá Cosgrave andar  à procura de outro personagem da extrema-direita para substituir Le Pen.

Imagem :Caricatura, com a devida vénia a  Plantu , célebre caricaturista francês do jornal “le Monde”, denunciando a política racista de Jean-Marie Le Pen e de Marine le Pen.

Autor: Álvaro Vasconcelos

Investigador CEIS20 Universidade de Coimbra; Diretor IEEI (1980-2007), Diretor Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia(2007-2012), Professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo

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