Crise da Democracia: crise da esquerda?

 

MESA REDONDA:
RENATO JANINE RIBEIRO, EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO DO BRASIL E AUTOR DO LIVRO A BOA POLÍTICA
ANA LUÍSA AMARAL, POETA, FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO
SOFIA OLIVEIRA, JURISTA, UNIVERSIDADE DO MINHO
MIGUEL ALVES, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMINHA

MODERADOR – ÁLVARO VASCONCELOS, FORUM DEMOS

4 DE DEZEMBRO DE 2017 ÀS 21H
FLUP – ANFITEATRO NOBRE 

 

Hoje é inegável que existe uma crise da democracia. Vários factos o atestam, nomeadamente: o descontentamento dos cidadãos com as instituições que têm como razão de ser a sua representação (partidos, parlamentos, governos); o crescimento de alternativas populistas nacionalistas aos partidos democráticos tradicionais, de que o caso mais gritante foi a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos; e os sucessos eleitorais dos nacionalistas em vários países europeus. Ao mesmo tempo assiste-se a um abalo profundo dos partidos socialistas e sociais democratas – veja-se a crise do PT no Brasil e o quase desaparecimento do partido socialista na Grécia e em França.

    Será que a crise da Democracia é consequência da incapacidade de os partidos de esquerda assumirem uma política de alternativa programática quando chegam ao Governo? Será que num mundo globalizado essa alternativa ainda é possível? Será que a corrupção da política e a corrupção dos políticos explicam a descrença nos valores éticos dos partidos de esquerda? O que é a “boa política” hoje? Como vencer a crise da Democracia e criar condições para reais alternativas políticas? Qual é o futuro dos partidos de esquerda?

Estes serão alguns dos temas que vão ser discutidos neste forum.

 

Entrada Livre condicionada a inscrição prévia

INSCRIÇÕES

Com a colaboração da Faculdade de Letras da Universidade do Porto através do CETAPS e do ILCML

 

Os portugueses e a Catalunha :Ibéricos, apesar de tudo

mapa-reinos-da-peninsula

«A Península Ibérica constitui um todo, dos mais diferenciados e caracterizados; chamaram-lhe já um mundo por si, um mundo de diversidades e contrastes»
Oliveira Martins

Em Portugal, uma das consequências mais interessantes da crise catalã foi a descoberta, por muitos, que também somos ibéricos.

Continuar a ler “Os portugueses e a Catalunha :Ibéricos, apesar de tudo”

O correto, o incorreto OU o vazio da política?

Por Maria Carlos Oliveira

politicamente-correto

Como é que os seres humanos vieram a ser, ao mesmo tempo, sofredores, mendicantes, celebrantes do prazer, filantropos, artistas e cientistas, santos e criminosos, senhores benevolentes da Terra e monstros empenhados na sua destruição?

António Damásio, A Estranha Ordem das Coisas

 

Politicamente correto e politicamente incorreto são expressões a que me tenho acomodado para avaliar e arrumar a informação nestes tempos em que a política, no sentido aristotélico de procura do bem comum, tem sido esmagada pela razão instrumental, inerente ao neoliberalismo, que tem tomado conta da globalização. A lógica do interesse individual, que carateriza o capitalismo, tem prevalecido sobre a racionalidade que deveria governar a gestão da coisa pública, em que todos é mais do que a soma dos indivíduos que fazem parte de uma determinada comunidade.

A vitória de Trump, que é luz para Duterte, fez-nos compreender, de forma dolorosa, a distração. Mesmo os mais atentos e empenhados compreenderam que algo de essencial lhes tinha escapado.

Como foi possível? Continuar a ler “O correto, o incorreto OU o vazio da política?”

Correto, ma non troppo

Por Gonçalo Marcelo

 

Porque é que, hoje em dia, importa debater o “politicamente correto”? Porque a linguagem é mais do que um mero meio de expressão. Muitas vezes, não é totalmente neutra; pelo contrário, é política ou, pelo menos, admite usos políticos. Uma palavra, uma frase ou um discurso podem enlevar ou ofender, incluir ou excluir aqueles a quem se dirige. E esta coloração positiva ou negativa pode ser aceitável ou inaceitável, consoante a avaliação ética que dela se fizer. Há linguagem perigosa e subversiva, tal como há linguagem censurada e linguagem formatada para ser asséptica e defensiva.

Continuar a ler “Correto, ma non troppo”