A vitória e a diferença nas eleições francesas

Maria Carlos Oliveira

 

Hoje, o olhar e o pensamento de muitos europeus estão em França, o que significa que há muito mais Europa do que a perceção que os nacionalismos, e não só, insistem em dar-nos.

 O resultado eleitoral será o resultado da «sabedoria das multidões», por isso o voto é e continuará a ser, para mim, indissociável da democracia representativa. Pode ser mau, a democracia permite a escolha dos melhores e dos piores, mas entregar a decisão a um grupo, ou instituição será apostar no enviesamento das perceções e nas ideologias empobrecedoras da verdade!

Se Marine Le Pen ganhar, a França desistiu, em primeiro lugar de si própria, prisioneira que está da nostalgia de um passado de liderança. O que tornou a França grande foi a capacidade de se reinventar, foi o seu vanguardismo, marcado pela diversidade, e a sua abertura. Escolher uma solução do passado é dar um passo gigante em direção à velha Europa sangrenta (muitos ignorarão que vivem no continente mais sangrento!), mostrando uma total incapacidade de se reinventar e dar o contributo fundamental para manter a Europa como um dos interlocutores incontornáveis num mundo policêntrico. Perde a França e perdem os Europeus, não há como escapar.

Se Macron ganhar, a França afirma algum alento para a batalha interna e externa. Não se fecham as portas, o caminho é incerto, mas há todo um mundo de possibilidades.

Esperando que a vitória de Macron se concretize, o meu olhar estará concentrado na diferença entre os dois candidatos. Se a vitória de Macron for esmagadora, a França revela, novamente, uma energia de renovação, uma capacidade de correr riscos, e é desta França que a Europa precisa. Se a diferença for pequena, os riscos de atrofia e mesmo de implosão do projeto Europeu são maiores e aí, teremos que concluir, que a decisão dos britânicos foi a melhor decisão, abandonando o barco, apesar de a música continuar a tocar, os comandantes brindarem e os passageiros, por sinal ricos, dançarem, num remake do Titanic, num outro barco e com outros protagonistas!

É triste, depois de tudo o que a Europa foi capaz de fazer, entre sangue e esperança, perceber que afinal estamos a abandonar o desafio de ser, de continuar a ser, uma das centralidades incontornáveis na cena internacional.

Afinal, o futuro também é hoje!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: