Eleições 2017 – O ano de todos os riscos

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O segundo debate do Fórum Demos, que decorreu no dia 3 de março, na portuense Cooperativa Árvore, centrou-se dos atuais processos eleitorais em curso na Europa – um ciclo eleitoral que comporta uma enorme componente de risco.

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As votações do Brexit assim como a eleição de Trump como presidente dos EUA vieram alimentar o sentimento antissistema que se vinha fazendo sentir na Europa, e que vem agora pôr em risco a construção europeia, com a possibilidade de eleição dos partidos de extrema direita na Alemanha, França e Holanda. A imigração, o multiculturalismo e a segurança assumem a posição de temas fraturantes e determinantes na decisão do eleitorado. Com uma disputa claramente bipolar nos três países, são unânimes as sondagens ao demonstrarem que a sombra do populismo europeu parece demasiado firme para não ser levada com seriedade. Com diferenças a rondar 1 ponto percentual nas mais recentes sondagens relativas às três eleições, a porta encontra-se assustadoramente aberta para o fim da Europa como a conhecemos.

Joana Isabel Pinho

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 As eleições de 2017 na Holanda, em França e na Alemanha, são as eleições de todos os riscos, mas também de todas as oportunidades. Em todas se deverá confirmar o crescimento do neonacionalismo na Europa, mas não é provável que nalguma delas a extrema-direita chegue ao poder, como aconteceu nos Estados Unidos. A imigração estará no centro do debate em França e na Holanda e em certa medida na Alemanha. Só na Holanda é provável que o partido de extrema-direita de Geert de Wilders, o Trump holandês, seja o mais votado, mas sem capacidade para formar governo. Em França, Marine Le Pen deverá perder as eleições e na Alemanha, o resultado da Alternativa para a Alemanha (AfD) é imprevisível, mas deverá ser significativo. Em todos os casos seria um erro relativizar o significado do crescimento da extrema-direita, incluindo na Alemanha. Estamos perante um risco sério quando políticos como de Wilders apelam à expulsão dos marroquinos ou à proibição do Corão. A rejeição do multiculturalismo é um combate de retaguarda em sociedades com uma enorme diversidade que se irá aprofundar, encontrar as condições para garantir a unidade na diversidade. Deveria ser a prioridade para os partidos democráticos, sem nenhuma tolerância para o racismo.

Álvaro Vasconcelos

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 Faltam ainda muitos meses para as eleições na Alemanha, mais de meio ano. Ainda é cedo para saber quem vai chefiar o próximo Governo. Neste momentoIMG_20170303_183051, as previsões apontam – contra tudo o que era esperado – para um melhor resultado do SPD, com Martin Schulz, do que do partido de Angela Merkel. Há, no entanto, uma tendência que penso que podemos, desde já, antecipar: a disputa está a fazer-se claramente ao centro. A CDU e o SPD têm, segundo as sondagens, mais de 60% dos votos. A AfD (Alternativa para a Alemanha), o terceiro partido nas sondagens, reúne a preferência de cerca de 11% dos eleitores, mas está a descer significativamente. É, apesar de tudo, uma diferença grande em relação ao que se passa na Holanda e na França.

Sofia Pinto Oliveira

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