Primeiro Debate Fórum Demos

img_8961No dia 3 de fevereiro decorreu, na Cooperativa Árvore, no Porto, o primeiro debate do Fórum Demos. A discussão centrou-se na análise do significado da eleição de Donald Trump e no impacto que pode ter na Europa. Alguns dos intervenientes sintetizaram as suas intervenções sobre as questões abordadas.

Qual é a ideologia de Trump?

A presidência de Donald J. Trump, nos EUA, levanta-me três preocupações. Em primeiro lugar, Trump fez uma abordagem eficaz a uma grande parte da população branca norte-americana mais racista, menos instruída e mais facilmente manipulável, utilizando ferramentas psicométricas – e não demográficas – derivadas de “Big Data” geridas pela Cambridge Analytica. Em segundo lugar, Trump é eleito com o apoio explícito de extremistas e supremacistas brancos liderados por Steve Bannon, um antigo quadro da Goldman Sachs e fundador/editor da Breibart News, uma publicação racista e xenófoba de extrema-direita. Em terceiro lugar, a eleição ocorre num clima de populismo superficial em que factos são secundarizados por “factos alternativos”, decorrendo isso com a maior naturalidade para muitas pessoas, o que ilustra o nível de frustração de muitas pessoas com o sistema politico instalado – já não querem saber de factos.
Anos atrás, assisti a uma palestra de Madeleine Albright que referiu que os EUA continham a semente do fascismo. Contrariamente ao que Trump apregoou durante a sua campanha, ele não vai “representar o povo desprezado” numa luta contra “o pântano de poder”; ele é a voz desse pântano, uma voz que apenas pretende enriquecer com a presidência seguindo as orientações que os ideólogos extremistas que chamou para o seu lado lhe vão passando – o preçoo que estáá a pagar. Na minha interpretaçãoo, Trump está a jogar um jogo hábil e o perigo – nos EUA e no Mundo – é imenso.
José António Salcedo

Trump pode não ser um intelectual capaz de elaborar sobre a sua ideologia, como o seu conselheiro Steve Bannon, mas tal não significa que não possamos identificar a sua ideologia e as suas fontes.
Em primeiro lugar, é um populista que denuncia as elites e os políticos, em nome do povo, recorrendo à televisão e às redes sociais para um contacto direto com os eleitores. Para trás ficam as instituições representativas, incluindo os partidos políticos.
Segundo, é um nacionalista. Alicerçado em slogans como Make America Great Again ou America First, definiu a China, o México e a Alemanha, como o novo eixo do mal.
Terceiro, o discurso de Trump e as suas primeiras medidas mostram uma ideologia islamofóbica, que faz do Islão um inimigo.
Quarto, defende uma política anti-imigração, nomeadamente dirigida contra os latinos, apresentados como uma ameaça para os americanos.
E tudo isto em nome do combate ao politicamente correto, ou seja, à hegemonia do pensamento progressista
Álvaro Vasconcelos

Que resposta europeia a Trump e ao populismo?

A identificação de alternativas políticas que respondam aos interesses e às preocupações dos cidadãos e que por eles possam ser ponderadas, escolhidas ou rejeitadas é um pressuposto essencial ao funcionamento das democracias. Nas eleições legislativas de 2015, perante um leque de opções pluripartidário, a escolha dos eleitores portugueses foi clara e as forças da esquerda souberam entender e concretizaram uma alternativa de governo. No sistema presidencialista americano, o bipartidarismo institucional produziu uma falsa alternativa que deu a vitória a Trump. Os cidadãos americanos se encarregarão de corrigir as perversões que agora os afetam. É a impotência dos representantes que lança os eleitores nos braços do dito “populismo”.
Pedro Bacelar de Vasconcelos

As novas ameaças, mas também as novas oportunidades que fenómenos como a presidência Trump colocam à afirmação da Europa como espaço de desenvolvimento e fortalecimento da democracia e dos direitos humanos, e de contenção dos nacionalismos agressivos, dos populismos, da xenofobia e do racismo, tornam urgente a procura de formas de intervenção cívica, da sociedade civil, que ganharão em procurar articular-se em redes europeias (transnacionais) de comunicação, debate e acção que contribuam para o fortalecimento de uma consciência de cidadania europeia e dos seus valores, que encontrará já hoje um chão comum entre uma parte significativa das gerações mais jovens.
José Queirós

Do primeiro encontro do Fórum Demos, entre muitas reflexões extremamente relevantes, retenho a necessidade de analisar e combater as causas do crescimento do populismo, entre as quais a falta de capacidade de resposta das instituições guardiãs da ordem pós-segunda guerra mundial e a incapacidade de regular o impacto da revolução digital na economia e na sociedade, tanto no que respeita a redistribuição da riqueza, como no respeita a emergência de um  mundo global de intenso convívio multicultural.
Teresa Albuquerque

A perplexidade parece aumentar de debate em debate. A tertúlia de sexta-feira, no Porto, no âmbito do Fórum Demos, não foi exceção. Refiro, a título de exemplo, entre outros, a questão dos refugiados e  deslocados e dos migrantes.
Onde estiveram as vozes europeias, que agora brandam bem alto contra a posição da administração Trump nesta matéria, durante estes últimos longos seis anos, desde o início da guerra civil na Síria? Não nos esqueçamos que este é, também, um problema europeu e que é responsabilidade da União Europeia, dos Estados e da sociedade civil. Não podemos continuar incessantemente à procura de um responsável externo pela nossa letargia e indiferença perante o “holocausto” que se vive no Mediterrâneo e no Mar Egeu.
É tempo de agir e de despertar as  consciências insensíveis e anestesiadas.
Lastimo profundamente que o “efeito Trump” seja o “grilo” da nossa consciência europeia. Pesada condenação esta – “do mal o menos”! Que tal regressarmos ao Bem Maior?
Isabel Maria Freitas Valente

Donald Trump: what else ?
Duas semanas depois da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA, estivemos a debater qual o impacto desta Presidência na América, na Europa e no Mundo.
Ficou-nos a ideia de que a executive order mais expressiva dos interesses que movem o Presidente Americano foi assinada na sexta-feira e consistiu na afirmação da intenção de voltar atrás na legislação adotada por Obama em 2010, que tentava regular o setor financeiro e proteger os consumidores das vendas abusivas impostas pela banca.
Os atos mais contestados – porque verdadeiramente indefensáveis jurídica e politicamente – são os relacionados com a imigração. Aí estamos a assistir a um jogo de forças entre o Executivo e o Judicial, estando os Juízes a ter uma celeridade e uma eficácia que, em Portugal, por exemplo, dificilmente veríamos. A recusa provisória do Immediate Administrative Stay, requerido pelo Presidente, proferida no domingo por dois Juízes do US Court of Appeals for the Ninth Circuit, é notável.
evolução nestes – e em muitos outros – aspetos da política americana deve continuar a merecer a nossa atenção e justifica futuros encontros para debate.
Entretanto, na Europa, teremos eleições importantes neste ano de 2017. Os partidos com forte discurso nacionalista, anti-imigração, estão visivelmente entusiasmados com a Presidência Trump e esperam um efeito de contágio na Europa, como se viu no encontro de Koblenz, na Alemanha, em 21 de janeiro. Que estratégias podemos seguir para travar a desumanidade das políticas que estes partidos defendem sem qualquer pudor?
Sofia Pinto Oliveira

Um pensamento em “Primeiro Debate Fórum Demos”

  1. The rise of Trump was due mainly from the frustration the vast middle to lower white classes who feel marginalized in their own country. They have the impression that they don’t count anymore. That all the people who are not like them, blacks, Latinos, Muslims, gays, handicapped, all people they don’t identify with somehow have it “easy” in America. They are convinced that these people are living off their hard work. They get next to nothing from government but these minorities get everything they want. Jobs, welfare, free medical, free school for their kids etc. Also, they are convinced that America gives billions in foreign aid to poor countries who are ungrateful. This is why Trump started his campaign with two popular scapegoats. Mexicans (the wall) and Muslims ( the ban). These are visceral issues that grab them in their gut and rationality goes out the window. The making America Great Again is a slogan that ties it altogether. It is code for putting non whites in their place, and bringing back jobs stolen by globalism. Hence the picking on China that is the source of so much job displacement. The Democrats had no effective answer to this vision with the exception of Bernie Sanders with scapegoats of his own: rich people. And to the degree to which people hate rich people, they responded to Bernie. But rich people weren’t enough. Trump ironically spoke against rich people too but the bigotry and nationalism were stronger motivators. And if you add a little misogyny, it is the icing on the cake, because the men are tired of being pushed around by females. They feel they lost their dominance. This is the new politics, a politics most intellectuals no nothing about which is why all the experts were surprised and don’t have any answers.

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